Continuando a calcorrear a serra
Saí de Malhada Velha bem cedo, tomando a Estrada Municipal 517 com destino ao Açor, tenho que passar obrigatoriamente pela aldeia de BOXINOS. Recordo me neste momento como era também muito dificil chegar aqui.Estava um pouco afastada da civilização mas a partir dos anos 80 esta parte da serra começou a ser benificiada com uma estrada que inicialmente era em terra batida mas que hoje tem um asfalto razoável
Este local era conhecido antigamente como o Vale do Abutre, talvez por terem por aqui andado e nidificado estas aves de rapina em extinção
esta é uma imagem do meu amigo Joaquim Antunes natural daqui mas a viver no exterior e mostra nos uma antiga colmeia encimada por um vaso tipico de mangerico feito da panela de ferro que aqui era utilizada para confeccionar a sopa. e que bela sopa, recheada de tudo o que é bom
Quando ainda havia alguma vida na aldeia havia aqui 2 comércios mistos taberna e mercearia, que foram meus clientes, hoje tudo isso faz parte da historia da aldeia
Num ápice chegamos ao alto do Açor de onde podemos ver uma grande extensão de Portugal, uma paisagem deslumbrante, para a esquerda vemos uma enorme quantidade de aldeias . tantas que nem vou nomear, mas que vão de Lavacolhos até ao Casal da Lapa barragem de Santa Luzia. Se olharmos em frente temos o previlégio de apreciar toda a Cova da Beira desde Souto da Casa á serra da Estrela
Á minha esquerda deparo me com esta visão espectacular o cabeço do Açor e a serra da Maunça que faz parte da Gardunha. com um parque eólico de grandes dimensóes percorrem toda a serra
é para aqui que me dirijo e inicio aquela descida muito vagarosamente para me deliciar com tudo o que a minha vista alcança. Pouco depois entro nesta bela aldeia do Açor onde tive tempo para rever e cumprimentar velhos amigos e seguido depois em direção ao alto da serra
Depois de passar pelo Açor encontro me com estradas ainda em terra batida, ultrapasso o alto da serra e desço para a Ribeira de Eiras e aqui encontro já uma ótima via de comunicação que é a estrada que liga a aldeia á São Vicente da Beira para o lado esquerdo e em frente para Almaceda para onde me dirijo
e vou olhando para trás apreciando a serra que vai ficando distante passei por Rochas de Cima e cheguei a Almaceda uma aldeia sede de freguesia onde dá gosto cavaquear com estas gentes. Almaceda tem quase tudo o que uma aldeia nescessita para viver. Um lar da 3ª idade um Clube Recreativo e correios sede de Junta de Freguesia com salão de festas e ainda um belissino e confortável parque de recreio e lazer com uma ótima piscina fluvial
passei pela igreja Mariz e fui visitar um amigo, voltei atrás e dirigi me ao Ingarnal onde hoje pretendo finalizar esta viajem
Enquanto ia subindo pela estreita e sinuosa estrada que me levava até ao Ingarnal, os meus pensamentos recuavam no tempo recordando o meu tempo de criança quando aqui passava grandes temporadas na companhia dos meus avós, tios e primos
O meu pai nasceu aqui e viveu cá até uns meses antes do meu nascimento, tenho por isso esta pequena aldeia no coração
aqui á direita é a casa da ti Neves e á esquerda existia uma pequena habitação que era a dos meus avós
Hoje habitam a aldeia meia duzia de moradores e quase todos de idade avançada, mesmo assim os Ingarnalenses dispersos pelo País e estrangeiro ainda não esqueceram o caminho e veem varias vezes matar saudades á terra
Vejam só uma parte da maravilhosa paisagem que podemos apreciar a partir do Ingarnal, e como será de calcular, respira se ar puro, bebe se agua cristalina e comem se os produtos naturais da terra biológicamente tratados por mãos calejadas
Aqui era a casa dos meus avós Maria Joaquina Esteves e António Antunes onde há muitos anos passei momentos para não mais esquecer
E hoje fico me por aqui com a promessa de nos encontrar mos novamente noutros locais noutras viajens
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