quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Foi assim que aprendi a viver

Estávamos na década 1950/60; neste País á beira mar plantado, o mais ocidental do continente Europeu, que  em  relação a esta mesma Europa, vivia com um atraso de 30, 40 ou 50 anos.
Cada casa de familia vivia  do que se tinha e muitos com a ajuda dos amigos

Nas poucas cidades cá da zona, ia-se vendo qualquer coisa de novo, como novos edifícios, arruamentos com novas urbanizações, alguns milagres da técnica que vinham de fora, tais como automóveis, rádios transistores e por último a televisão, etc.

lembro me da primeira camioneta que existiu em Bogas de Baixo e lembro me ainda como se fora hoje, da primeira carreira que veio a Bogas pertencente á então Empresa Martins Évora, e das tropelias que a gente fazia quando íamos esperar a sua chegada alguns Kms distantes do povo para virmos encavalitados na retaguarda numa escada que servia para levar a bagagem para o tejadilho.

 Mas tanto por aqui na Beira como no norte Transmontano ou no Alentejo, vivia-se quase como nos tempos medievais.  A própria aparência destes povoados assim o demonstrava.

 Não havia luz elétrica, vivia-se na escuridão, apenas quebrada pelos raios do luar ou de luz do  virginal azeite.a arder nas lamparinas

Já havia rádios a pilhas(muito raros) mas o som das emissoras, chegava atrofiado, as numerosas povoações rurais do interior não a tinham emissores regionais.

  Vivia-se do que a terra dava  e nada mais.  Cultivava-se a  terra para se sobreviver.

Aqui nas Beiras  assim como todo o Norte, salvo algumas pequenas  excepções nunca  existiu a generalização da grande propriedade assim quase todas as pessoas possuíam  um pouco de terra, á maior parte por herança dos seus antepassados.  Terra que não dava para nada, mas que chegava  para  se entreterem plantando umas couves, semeando umas batatas, feijão, milho, etc.

Houve uma mudança radical nestes costumes primeiro derivado á forte emigração que registou nesta época e que principalmente em terras de França foram grajeando algumas economias que iam enviando para cá e com isso as aldeias começaram a evoluir um pouco mais com a reparação das suas casas ou mesmo na construção de novas
Depois deu se o 25 de Abril e então sim aí o povo passou a ter liberdade emuito mais regalias.
os salários subiram, criaram se horáruios de trabalho em vez do anterior de (sol a sol) o mesmo que dizer inciava se o trabalho ainda não tinha rompido a aurora e terminava já noite com a luz da lua.
Mas infelizmente o 25 de Abril foi sol de pouca dura e hoje muitos portugueses começam a ficar sem comida e sem tetos para se recolheremFoto: Portugal 2013
Embora haja cada vez mais ricos  há cada vez mais pobres o que quer dizer que os remediados estão a desaparecer

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Era uma vez uma velha

Lembrei me hoje de um conto muito antigo e que já a minha avó contava

Era uma vez uma vez uma  velha, muito velha! Essa velha tinha uma filha  casada com um lavrador (quinteiro) muito rico mas vivia muito longe. Um dia a filha teve um menino e mandou-a chamar para ir ao Baptizado. A velha ficou triste. Estava muito velha, a viagem era muito longa, e tinha de atravessar o mato... Mas queria ver o netinho e então resolveu ir ao Baptizado.  Arranjou as coisas e lá foi ela.

Quando ia a meio do caminho encontrou um grande lobo que a queria comer. A Velha tentou fugir-lhe da melhor maneira que conseguia, e quando ele se preparava para a comer a Velha disse-lhe assim:
- Ai, Senhor Lobo! Não me coma! Por favor!
- Vou-te comer! - Respondeu o Lobo com voz cavernosa!
- Por favor! não me coma agora. Estou a caminho do Baptizado do meu netinho... se não me comer agora quando regressar, venho de barriga cheia e mais gordinha...
O Lobo achou que era uma boa proposta! Deixou a Velha continuar a sua viagem e ficou à sua espera no caminho, para depois a comer, já com mais carninha!

A Velha lá foi ao Baptizado. Viu o netinho e ficou feliz por isso, mas mesmo assim estava muito triste. Quando chegou a hora de voltar para casa, despediu-se da filha entre lágrimas:
- Adeus, minha filha! Que sejas sempre feliz! Pois eu vou-me embora e nunca mais me tornarás a ver....
Sem perceber o que se passava a filha perguntou:
- Então, mãe? Porquê?
E a Velha contou-lhe a sua triste sorte e o que tinha acontecido pelo caminho...
Mas a Filha teve uma ideia. Ao pé delas estava uma carroça cheia de grandes cabaças. A filha pegou numa, entregou-a à mãe e disse-lhe:
- Quando chegar à parte do caminho onde vive o Lobo, a mãe mete-se dentro da cabaça, e fá-la rolar pelo chão...

E a Velha assim fez... Quando o Lobo viu uma cabaça a rolar obrigou-a a parar e perguntou com a sua voz furiosa:
- Ouve lá, ó Cabaça! Tu não viste por aí nenhuma Velha?
E a Velha de dentro da cabaça, com voz de trovão respondia enquanto rolava o mais depressa que conseguia:
- Não vi Velha nem Velhinha,
  Não vi Velha nem Velhão!
  Roda, roda Cabacinha,
  Roda, roda Cabação!

E assim a velha chegou sã e salva ao seu destino!

sábado, 19 de outubro de 2013

Na aldeia sempre ouvi estes provébios

Já nos meus tempos de criança ouvia da boca dos mais velhos lá na aldeia, estes e muitos outros provébios que o povo todo conhecem


Ramos molhados, anos abençoados...

Era como dizer que quando chove na época da Páscoa, os cultivos que fazemos nas terras (batatas, cebolas, horta, vinho, feijões…), vão produzir muito bem, sendo um ano muito bom para as colheitas.


Pelo São Martinho prova o teu vinho
É o mesmo que dizer que em Novembro os pipos de vinho da colheita do ano estão prontos a ser abertos e convidam se os amigos para provar a pinga

Quem muito dorme pouco aprende...

Pois é,  se gastamos muito tempo a dormir, ficamos com pouco tempo para aprender.

Cão que ladra não morde...

Isto é simples, quer dizer que o cão enquanto abre a boca para ladrar, não pode usá-la para morder.



Lá na minha aldeia dizia se
Em Abril queima a velha o carro e o carril...  
A melhor cepa guarda-a para Maio..

Quer dizer que em Abril e Maio ainda pode vir muito frio e por isso, devemos guarda lenha para acender o lume.



Em Abril, águas mil...

Isto quer dizer que no mês de Abril chove muito.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Lenda de Nossa Senhora da Lapa


O Santuário de Nossa Senhora da Lapa situa-se na freguesia de Quintela, Sernancelhe em Portugal e é onde está a imagem original da Nossa Senhora da Lapa.
A primitiva capela foi construída em 1498. A actual igreja foi construída no século XVII pelos jesuítas, que muito promoveram as peregrinações.
O altar de Nossa Senhora da Lapa foi erguido no local onde, segundo a lenda, a pastora Joana encontrou a imagem escondida pelas religiosas.Ficheiro:Lapa 1.JPG
O Santuário guarda na capela-mor o rochedo (lapa) milagroso com a imagem da Senhora da Lapa.
São de salientar tesouros sem conta oferecidos, até por reis e rainhas, e a cenografia dos altares da Crucificação e da Morte de S. José.
Este santuário de Senhora da Lapa e a Catedral de Santiago de Compostela na Galiza, em tempos, chegaram a ser os dois santuários mais importantes da Península Ibérica.
É a 15 de Agosto de cada ano que se celebra a festa da Senhora da Lapa, atraindo milhares de peregrinos em cumprimento de promessas ou por simples devoção.
A LENDA



Diz a lenda que a imagem de Nossa Senhora da Lapa apareceu num penedo de difícil acesso, na Beira Alta.

Os devotos construíram-lhe um templo num local mais acessível, mas a imagem da Senhora fugia para o seu penedo sempre que a punham na nova capela. Este facto insólito ocorreu tantas vezes que os devotos fizeram a vontade à Virgem e construíram-lhe uma capela no penedo.

E a Senhora da Lapa lá está hoje, num sítio em que para a ver o crente tem de entrar de lado, por mais magro que seja. Curiosamente, o crente mais gordo de lado entra sempre.

Um dos milagres atribuídos a esta Senhora é o que ocorreu com um caminhante que, adormecendo junto à capela, entrou-lhe na boca entreaberta uma cobra. Aflito, o homem acordou e imediatamente invocou no seu pensamento a Senhora da Lapa.

Conta a lenda que a cobra imediatamente virou a cabeça para fora da boca, sendo depois apanhada e morta.



informações e fotos da net

domingo, 13 de outubro de 2013

Lenda de um pastor da Serra da Estrela


Esta é a história de um pastor pobre que vivia numa aldeia isolada nas encostas da serra e tinha por única companhia um cão.

Este pastor fitava o horizonte e o seu coração enchia-se de esperança de um dia viajar para além das montanhas que envolviam a sua aldeia. Uma noite de luar em que o pastor olhava o céu estrelado, desceu até ele uma estrela pequenina com um rosto de criança que lhe falou do seu desejo.

Estava ali por vontade de Deus, para guiar o pastor para onde este desejasse ir. A partir de então, a estrela nunca mais abandonou o pastor, sorrindo-lhe do céu noite após noite. Até que veio o dia em que o pastor tomou a decisão de partir e chamou a estrela.

Os velhos da aldeia abanaram as suas sábias cabeças a tamanha loucura. O pastor partiu e caminhou durante intermináveis anos. O seu cão não aguentou a dura jornada e ficou pelo caminho, marcado por um sinal de pedra.

O pastor chorou e continuou em busca do seu destino, envelhecendo junto com a estrela até que um dia chegaram ao seu destino, à serra mais alta, a que ficava mais perto do céu e ali ficaram juntos.

O rei da região mandou-lhe emissários com promessas de poder e fortuna em troca da estrela. O pastor respondeu-lhe que a estrela não era dele mas do céu e que nunca a abandonaria.

A lenda diz que ainda hoje da serra da Estrela é possível ver uma estrela que brilha mais do que as outras, de saudade e de amor por um pastor.



Lendas & Calendas :: Lendas e Contos Tradicionais :: Lendas, Mitos e Contos Tradicionais Portugueses

(fotos de pesquisa google)

terça-feira, 8 de outubro de 2013

O Sapo e os ciganos



O sapo é uma figura maldita para os ciganos, que associam o animal ao azar e à infelicidade. E em Beja, onde vivem numerosas famílias ciganas no Bairro das Pedreiras, a figura daquele animal está espalhada por lojas e casas particulares, evidenciando a tensão que continua a existir naquela cidade do Baixo Alentejo

Por exemplo em Beja, vêem-se batráquios de barro em montras e balcões de lojas comerciais, jardins e portas de acesso a casas particulares. "Temos azar a esse bicho", diz Joaquim Estrela Marques, 94 anos, patriarca da comunidade cigana naquela cidade. "Cada vez que surge um, arrepiamos caminho", acrescenta Vítor Marques, presidente da União Romani Portuguesa.
José Velez, vereador da Câmara de Beja, reitera que o problema não é de agora e alude à crença de que a presença de sapos em cafés, restaurantes e outros estabelecimentos terá um "efeito dissuasor". É uma forma de dizer que "o cigano não é bem-vindo", afirma este eleito, que diz não valorizar este "mito"


(excerto de uma noticia que vi no jornal O Publico em 2010)

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Lenda do Tortozendo



Da imaginação dos povos saem as narrações mais fantasiosas e para tudo ela encontra explicação. No boletim comemorativo do 60ª aniversário da elevação do Tortosendo a Vila pode ler-se:

"Conta-se em Tortosendo que há muitos, muitos anos, existia uma casinha térrea e pequena e que dentro vivia uma família boa, unida mas pobre. O pai madrugava para ir cavar a terra dura, os irmãos guardavam as ovelhinhas, a mãe limpava, cozia e tratava da panela, e ela, a irmã doente e aleijada, triste e só lá ficava encostada à velha Oliveira.

 Mas um dia deslumbrada viu sentada num dos ramos mais baixos da oliveira uma senhora bela e irradiante que, sorrindo, lhe estendeu um objecto desconhecido e assim falou:

- Minha filha, pára com a tua tristeza e pega nesta roca com que passarás teus dias a fiar. Embora doentinha e torta, sendo amiga de ajudares teus pais, contribuirás assim para o bem-estar da tua família e com o teu exemplo, que se propagará, para o progresso da tua terra!"

Teria vindo deste acontecimento o nome de "Tortasendo" que daria mais tarde "Tortosendo", com o seu desenvolvimento da indústria de fiação e têxtil e a sua devoção a Nossa Senhora da Oliveira.






Lendas & Calendas

Fórum dedicado a algumas belas histórias e curiosidades dos países de língua portuguesa

sábado, 5 de outubro de 2013

Lenda do Peso e Pesinho (Covilhã)

Para quem conhece Peso é uma localidade situada na margem direira do rio Zêzere e pertence ao concelho da Covilhã,  enquanto O Pesinho é uma outra aldeia desta vez situada em frente ao Peso, na margem esquerda do rio e pertence ao Concelho do Fundão


Conta a lenda que, uma vez um homem vinha dos lados do 

Fundão, transportando um saco de algodão, às costas.

Chegando à margem esquerda do rio Zêzere precisou de o 


atravessar para o lado direito.


Ao atravessar o rio, molhou o saco de algodão sem dar pelo 

facto.
Rio Zêzere

Quando chegou à margem direita, deu conta que o saco 

estava mais

pesado e disse:

- Que peso!! Ainda agora era só um pesinho!




E a partir daí, a localidade da margem esquerda ficou a


 chamar-se Pesinho

 e a da margem direita, ficou a chamar-se Peso.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Alguns dos lindos trajes antigos da Beira



A Beira Baixa é riquissima em trajes antigos  Sendo trajes de trabalho estavam adaptados às tarefas a que se destinavam, práticos, simples e confortáveis.

O trajo masculino é composto por camisa de riscado, com cós e peitilho aberto sobre o peito, manga comprida arregaçada. Calça de cotim azul-escuro e ceroulas de riscado azul-claro, ajustadas nos tornozelos com nastros. Na cabeça, lenço tabaqueiro de algodão vermelho, com pontas laterais sobre as abas do chapéu de feltro preto. Botas de bezerro. Transporta uma manta de retalhos e uma foice.
O traje feminino é constituído por blusa de algodão estampada, gola de bico, ajustada na frente com botões, manga comprida com punho.
Saiote de lã vermelho, debruado com fita preta, resguardado na frente por amplo avental de riscado, com bolso de chapa e refegos na orla. Algibeira de tecido estampado e chave suspensa na cintura. Calça meias de algodão e sapatos de ourelo.

Havia no entanto algumas aldeias mais para as bandas de Castelo Branco onde as raparigas se vestiam de saia verde ou vermelha bem rodada com barras pretas ou bordadas, uma camisinha de linho, com aplicações de bordados e rendas, com as mangas plissadas, sobre que assenta um pequeno colete vermelho também bordados ou gregas muito decotado e, sobre este, a folhadura de renda, feita a duas agulhas, e por fim um lenço de ramagens na cabeça.

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È este, certamente, o traje mais interessante e alegre de toda a Beira Baixa.
Em suma: A saia era de castorina(Pano macio e lustrado de lã) blusa de linho justa, com bordados de rendas, a que chamam “Roupinhas”




Os Homens da Beira vestiam de diversas formas, mas praticamente em toda a província da Beira Baixa, é digno de referência especial: A calça  de surrobeco apertado acima do joelho e polaina do mesmo tecido sobre a bota de carda. Camisa branca de linho plissada e bordada, sobre esta o colete e uma jaqueta. Um chapéu grande de lã com borla


(Referência Bibliográfica: O Trajo Regional em Portugal, Tomaz Ribas, Difel, 2004)