quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Um pouco de História sobre a aldeia


ECOS DA ALDEIA, terá publicado logo no seu inicio em  2007 dados históricos sobre Bogas de Baixo.
Essa postagem desapareceu e resolvi por isso voltar a publica la nesta data



Em 1724 já Bogas de Baixo era Paróquia , como podemos verificar na cópia do testamento de Jorge Dias o qual se encontra no livro de testamentos de Bogas pertencente ao arquivo da freguesia de Bogas e ao que parece foi levado para a Casa Paroquial por volta de 1940
O referido testamento tem o seguinte termo de abertura: Este livro ha de servir para nele se descarregarem os movimentos e visitas á Igreja Paroquial de S. Pedro no lugar de Bogas de Baixo, deste distrito da Covilhã vai rubricado com o sobrenome de FREIRE
Covilhã 19 de Setembro de 1724


Nota: nesta data, a freguesia de Bogas de Baixo dependia da Covilhã onde era o Arciprestado
No mesmo livro ha um outro termo de Abertura que começa assim: serve este livro para nele se lançarem as Capelas (testamentos de caracter religioso como por exemplo encargos de missas)
Um tal Jorge Dias de Bogas deixou um chão na regadia a sua filha Quitéria., com a obrigação de uma missa por ano.
Este termo foi lavrado em 2 de Novembro de 1724 pelo cura Jorge Rodrigues Latadas
O mencionado Jorge Dias no seu testamento a favor de seus filhos Gaspar Dias e Quitéria Dias deixava lhes as obrigaçoes testamentarias de uma missa e um responso em sua alma, actos que se deviam cumprir todos os domingos
Sabe se tambem que o referido Gaspar Dias morreu e deixou os seus bens a sua irmã Quitéria e que após o falecimento dela, se instituisse um vinculo de capela em quadro perpétuo com a obrigação de 20 missas em cada ano por sua alma enquanto o mundo for mundo e nunca em tempo algum poderão ser vendidos, alterados ou anexados por qualquer administrador.


As propriedades mencionadas no referido testamento que toda a gente em Bogas conhece , são as seguintes: Sernadela, Oldeiros, Córguas da ribeira ( nos limites de bogas com Janeiro de Cima) ,Vale do Brejo, Vale de Pedro Mendes, Feiteiras, Lomba das Eiras, Ramalheira, Codeçal, Covão do Açor, Vale dos Cortiços,Ribeira do Descoberto, Carvalhal Novo, Casas Velhas do Urgeiro, Ladeira da Ponte, Porto Freixo, Vale da Cerejeira, Risca e Chão da Amoreira.
Obras na igreja paroquial terão sido feitas a mando de D. Quitéria acrescentando se então quase outro tanto á primitiva, como se lia na cabeceira do altar do lado da espistola. Os dois altares laterais estavam então (1908) com as frentes voltadas para o corpo da Igreja:
Por volta de 1930 estes dois altares foram colocados de esguelha no tempo do Padre Coelho . Estes altares assim como o altar mor devem ter sido feitos por volta de 1700. São de escultura barroco e já foram pintados a purpurina.Agora em 1986 pensam em Bogas douralos, o que será um bom arranjo e bem merecido.
Algo Sobre a Antiguidade da Paróquia

 Bogas de Baixo era Paróquia separada de Janeiro de Baixo como esta escrito nos testamentos de D. Quitéria
A tradição local dizia que primitivamente havia 2 capelas, uma em Bogas e outra no Maxial Ambos os lugares pertencentes á paróquia de Janeiro de Baixo e mais,que 2 bons cristãos do Maxial cada um em seu macho iam á missa dominical de Janeiro de Baixo e que o cura de lá nunca começava a missa antes que estes chegassem. Eram conhecidos pelos homens dos machinhos Daí teria derivado o nome de Maxial.

Casa Senhorial Brasonada
Entrando em Bogas pela Rua da Igreja,encontra se logo ao principio uma casa toda caiada, comprida, com uma frente unica, a qual se destaca das restantes casas do povoado
Esta casa é conhecida por Casa dos Motas que a habitaram ultimanente Tem uma entrada com portado fora do vulgar larga e por cima dela está o brazão familiar carateristico dos palacios dos nobres ou titulares.
D. Eurico Nogueira (arcebispo de Braga) publicou recentemente um livro no qual se faz referencia a uma familia rica do Carregal Freguesia de Dornelas.
Esta familia foi se espalhando pelas terras vizinhas e dela destacamos um tal Manuel Dias Barata de Carvalho residente em Bogas de Baixo a quem D. Maria I outorgou o título de CAPITÂO DA ORDEM DE CRISTO ainda na menor idade de D. JOÃO VI
o direito de usar brazão
Sendo assim o que não nos oferece duvidas é que esse Manuel Dias barata de Carvalho, foi pois titular da ORDEM DE CRISTO com a categoria de capitão mercê que lhe conferiu a rainha D. Maria I
O palácio era para a época de grande categoria, bem como aquela terra. A sua construção seria de fins do século XVIII o brazão é de granito fino Quanto à heraldica não ha elementos para o especificar.
Diz ainda D. Eurico no referido livrinho que, no Carregal se distinguiram 2 familias em razão dos seus haveres e preponderancia na região. Uma dessas familias eram os MEIRELES e a outra a já mencionada dos CARVALHOS. a primeira expandiu se para a região do Fundão e Cova da Beira. A segunda expandiu se para poente e para sul como Bogas de Baixo Unhais o Velho, Vidual, Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Orvalho e Cambas
Os Apelidos Barata, Dias e Carvalho todos devem ter ascendencia nesta familia 
Destas familias terão derivado alguns homens ilustres como o Dr Teodoro Meireles e o Visconde de Tinalhas e ainda um padre do Carregal Dr Bento Dias de Carvalho formado em direito canónico na universidade de Coimbra em 1771.
Foi pois Manuel Dias Barata de Carvalho que terá mandado construir a casa dos Motas em Bogas de Baixo, afixando sobre a entrada nobre do palácio, a pedra titular com as suas armas que ainda lá estão

Havia sido aberto um caminho estrada desde a Guarda e Covilhã até Lisboa por onde se faziam os transportes da época
Por esta estrada terá vindo S PAULA FRASSINETI (Isaura) quando veio fundar casa ou visitar a já existente na Covilhã 
por este caminho terá viajado tambem o dramaturgo GIL VICENTE que era da Beira Baixa.

A paróquia de Bogas de Baixo ja existia antes de D. Quiteria e por conseguinte antes do testamento feito por seu pai Jorge Dias a seu favor.
Em 1320 ja existia Cambas como paróquia seu cura o Padre Henrique, seguiu se lhe Janeiro de Baixo e depois Bogas de Baixo mais tarde Bogas de Cima e Orvalho.Junto das talhas dos altares laterais da Igreja de Bogas havia inscrições indicando D. Quiteria como remodeladora ou benfeitora.


N.B. Todos os elementos atras descritos foram extraidos de um caderno de APONTAMENTOS SOBRE BOGAS DE BAIXO escrito pelo Rev. Padre Luis Gonzaga Martins Gama
e gentilmente cedidos por um conterrâneo
AS COISAS QUE VIM A DESCOBRIR TAMBEM ATRAVÈS DE PESQUISA NA NET: Em 11 de Janeiro de 1567 realizou-se em Janeiro de Baixo o casamento de Bartolomeu João, filho de João Luís "do Porto da Balsa, termo de Vila Cova", com Maria João, filha de João Anes, de Bogas de Baixo, localidade então pertencente à freguesia de Janeiro de Baixo.


Este registo é tão antigo que corresponderá a um casamento da geração dos pais ou mesmo dos avós de Domingos João e Maria Francisca.
DOMINGOS JOÃO c. c. (Fajão 26.08.1646) ISABEL SIMÃO, ou SIMÕES, da Pampilhosa da Serra, filha de Francisco Fernandes e Margarida ... . Tiveram:
----- 3. Manuel Simão, ou Simões, c. c. (I) Maria Manuel, filha de João Rodrigues e Ana Manuel, c. c. (II) (Fajão 12.09.1693) Catarina Francisca, de Fajão, filha de Simão Fernandes e Catarina Francisca. Com geração.
o nascimento de João Luís do Porto da Balsa e de João Anes de Bogas de Baixo deve ter acontecido cerca de 1520, situa-se no reinado de D. João III.


2 comentários:

cristina simao disse...

Obrigado Luis por continuar as nos contar estas historias...daqui e dali...
Um beijo pra si e para todos os Boguenses!

Luis Antunes disse...

Olá Cristina
Sei que és uma assidua visitante do Blogue
Obrigado pelo teu comentário.
Se por acaso alguma vez aches que qualquer coisa está mal ou deva ser corrigida é s+o dizeres
Bjssssss