segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Lendas e Mitos que o povo conta

“Atiro a porta mãe!?” Vivia um menino pobre, com sua mãe, nas últimas casas de uma aldeia. A mãe ia trabalhar, todos os dias, deixando o menino sozinho. Antes de sair recomendava-lhe: – Não abras a porta a ninguém, nem mostres as nossas verónicas! O menino respondia-lhe que fosse descansada, porque ele faria conforme ela lhe estava a recomendar. Mas, certo dia, uns homens, que pareciam boas pessoas bateram à porta e perguntaram ao rapazinho se lá em casa haveria alguma coisa bonita que ele lhes pudesse mostrar. O menino correu a buscar as verónicas, que a mãe guardava na cómoda do quarto. Os ladrões – porque era isso que eles eram – pegando no saco, imediatamente se foram embora. Pouco depois, chegou a mãe. O menino estava triste e confessou-lhe o que se tinha passado. A pobre mulher, vendo-se sem o seu tesouro, lançou mãos à cabeça e começou a correr estrada abaixo, pelo caminho que os ladrões tinham seguido. Entretanto, gritava para o menino que a queria acompanhar: Fecha a po…o…orta…!!! Levo a porta, mãe…e…e? – respondia-lhe o menino. Fecha a po…o…o…orta…!!! Levo a porta, mãe…e…e? Sem entender o que a mãe lhe gritava, cada vez mais distante dele, levantou a porta e começou a correr, com ela às costas, ao encontro da sua mãe. Já muito longe de casa, muito cansados e sem verem o caminho, porque, entretanto, o sol já se tinha posto, mãe e filho resolveram passar a noite em cima de uma azinheira, carregando, também, a porta. A altas horas, sentem passos… conversas… por entre as árvores do montado. E, qual não foi o seu espanto quando, precisamente debaixo da árvore em que eles estavam, se vieram sentar, discutindo, dois homens carregados de sacos e outros objectos. Eram os ladrões, que se preparavam para dividir, entre si, o que tinham roubado. Então começaram: Pataca a ti… pataca a mim… Pataca a ti… pataca a mim… A mulherzinha e o filho, em cima da árvore, nem respiravam. A criança na sua imprudência, murmurava à mãe: Atiro a porta, mãe? A mãe, com um gesto, tapava-lhe os lábios, gelada de medo. O menino continuava: Atiro a porta, mãe? E atirou! Os ladrões, pensando que era o céu que lhes caía em cima, puseram-se em fuga e não mais voltaram. Foi assim que mãe e filho puderam recuperar não só as suas verónicas, como também, ganhar muitas outras riquezas que os ladrões abandonaram no chão, debaixo da azinheira. Posted on 07/21/2010 by contosdeadormecer

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