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São exactamente as nossas raizes culturais, familiares e sociais que nos distinguem.




quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

É tão bom ser pequenino

Hoje quis partilhar no meu blogue um texto de Paulo Geraldo inserido em http://familia.aaldeia.net/ que me faz voltar atraz e reviver um pouco da minha meninice até aos dias de hoje
Permito me ilustrar este texto com uma belissima imgem de pesquisa no google ---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- Recordo o cheiro dos lençóis lavados, a guerra para lavar os dentes, histórias contadas antes de adormecer. O desejo de chegar a casa, o aconchego e, depois, outra vez a vontade de sair. Corria para a minha mãe quando caía e me magoava. Não para o meu pai, porque seria preciso dar muitas explicações e ouvir de novo o racional “Eu já te tinha avisado…”. Um prato especial nos dias de festa. Birras. É preciso vestir aquela roupa nova. É a tua vez de lavar a louça. Não sei muito bem a partir de que idade é que os irmãos deixam de ser irritantes… Depois do jantar fazíamos jogos e entretínhamo-nos uns com os outros. Por vezes, quando era Verão, saíamos a passear e apanhávamos pirilampos. A chuva lá fora, o calor dentro de casa. Um livro. Um amigo que vem lanchar. Um ralhete porque desta vez passámos dos limites e as calças vêm cheias de lama. Já te disse tantas vezes que não se deve deixar aí a roupa suja… Acordar com um beijo. Adormecer com uma oração. Natal. Os primos. Visitas a casa dos avós. Brincadeiras. Às vezes notar, sem notar, uma expressão semelhante a tristeza ou cansaço no rosto do pai ou no rosto da mãe. Depois, brincadeira de novo. Música, flores, sorrisos. É tão bom ser pequenino… Coisas pequenas. Diárias. Vulgares. Mas enormes, únicas, cheias de magia. Durante muito tempo estive convencido de que era a infância que acendia nas pequenas coisas de todos os dias essa música e esse encanto que agora recordo. Que era por ser pequeno na altura que todas essas coisas são agora especiais. Mas há tantas pessoas que foram também pequenas e nunca poderão ter recordações destas… E não porque não tivessem tido pais, ou porque estes os tivessem maltratado ou porque tivessem sido demasiado pobres. Geralmente não é muito difícil casar, ter filhos, uma casa para viver. Mas depois de se conseguir isso podemos chegar à conclusão de que é muitíssimo difícil construir uma família. É talvez como ter já os tijolos e, no entanto, sentirmo-nos incapazes de encontrar o cimento que os una, lhes dê forma, consistência e identidade. É fundamental ter uma infância feliz… E começámos então a dar aos filhos coisas excelentes e actividades fantásticas e experiências divertidas. E enchemos de trabalho os dias, para lhes podermos dar tudo isso. Saímos, portanto, de casa. E a casa esvaziou-se. E deixámos de viver com os filhos. As coisas fantásticas que lhes demos acabaram por ocupar quase todo o tempo em que deveríamos ter estado com eles. É muito fácil errar o caminho. Ao crescer, descobri que para se ter os lençóis lavados e passados a ferro é preciso frequentemente deitar-se mais tarde e dormir menos. Aprendi que é preciso ter paciência para fazer uma criança ganhar o hábito de lavar os dentes ou deixar a roupa suja no local correcto. E que a paciência dói. Reparei em que as pessoas mais velhas gostam de sossego depois do jantar, porque se cansam facilmente. E que, por isso, tem um alto preço fazer nessa altura jogos com crianças ou correr atrás de pirilampos. Vim assim a saber que o cimento da família é aquilo que se faz pelos outros, deixando de fazer aquilo de que se gosta, para os ver felizes, para os construir, para os ajudar a chegar a onde devem chegar. Aquelas pequenas coisas da minha infância foram grandes, afinal, porque eram feitas de um amor sacrificado e escondido. Esse amor toca naquilo que é pequeno e engrandece-o. Desenha flores no pó do quotidiano. Só ele permanece. (Paulo Geraldo) Quem é Paulo Geraldo ? Veja aqui

2 comentários:

Anónimo disse...

António Antunes---- ora aqui está um excelente trabalho, e que desperta em nós, acho que em muitos dos da minha geração, memórias inesquecíveis, mas que, por vezes caladas, já que nem sempre há ligação com aqueles que nos rodeavam e com os quais nos divertíamos, desde no copito das então chamadas tabernas, como dos cafés, quando começaram a surgir por estas terras do interior. Recordo com muito vigor, do senhor ferreiro, onde ia muitas vezes fazer "recados" a mando do meu pai, Daniel Antunes que foi de Cambas, casado em Admoço e mais tarde se estabeleceu numa quinta no lugar de Atalaios, da freguesia de Cambas. Tambem recordo as muitas vezes que ali nos dirigíamos, quando já mais madurote, para os bailaricos, junto com outros "forasteiros" de Cambas, Orvalho e doutros lugares das redondezas. GRANDES TEMPOS. Gosto desta criatividade!.... força. Não lhe apresento nenhum grupo deste género, porque na verdade o lugar onde fui criado, era muito pequeno, aliás está em vias de desertificação, e para não ser intrometido, vou sendo adepto de todos os da nossa Região. Um abraço.

Anónimo disse...

Gostei!Parabéns pelo trabalho


Maria José Coelho Martins !