Recomende este blog

São exactamente as nossas raizes culturais, familiares e sociais que nos distinguem.




sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

O Lagar

Ainda me lembro do antigo lagar que existia na minha terra e do qual só restam as ruinas

Muitas vezes assistia ao fabrico do azeite todo ele trabalhado manualmente

Via chegar os carros de bois (nessa altura ainda não havia tractores) .carregados de sacos de azeitona que eram logo encaminhadas para as tulhas onde ficavam até irem para as prensas
.

Depois levadas em cestos iam, para a grande pia com grandes rodas de pedra onde eram pacientemente moidas

A energia para estas rodas se moverem vinha essencialmente da agua que corria por uma levada que accionava uma roda de madeira cheia de vasos que com o peso da agua a faziam mover

Já não me lembro bem se quando havia falta de agua não punham um animal Boi ou Burro a accionar o engenho.
Depois de moida a massa da azeitona era levada em gamelas para a area das ceiras onde era enceirada pelos lagareiros

Quando ficavam cheias as ceiras, os lagareiros sobrepunham nas no estrado da prensa . Colocavam por cima delas um ou dois malhais para sobre eles assentar a parte mais pesada da vara.

Dois lagareiros faziam depois girar o fuso da vara com uma alavanca e este servia então para apertar as ceiras de onde saía o precioso liquido ainda misturada com o residuo (agua-ruça)
Quando as ceiras ficavam completamente escorridas era feita a mesma operação com a vara em sentido inverso para que as ceiras pudessem ser caldeadas com a aua perviamente aquecida na caldeira do lagar
O azeite corria das ceiras por um pequeno canal até um recipiente de mistura onde entarva ainda acompanhado do resíduo (agua ruça).
Sendo mais leve que a água, o azeite aparecia em cima, enquanto que a ( agua-ruça) ficava por baixo
Normalmente o mestre lagareiro tinha por tarefa proceder a esta separação da agua do azeite para que houvesse a garantia de que o produto seria de boa qualidade
O recipiente tinha uma torneira no fundo que era aberta para expelir a agua até que o azeite ficasse com a sua pureza natural
Muitas mais tarefas havia no lagar da nossa terra nessa época das quais já não me recordo.
Hoje as gentes da minha terra teem que se deslocar para fora da aldeia para procederem á confecção do seu azeite em lagares mais modernos e com outras condições de trabalho
E tambem porque o Lagar da minha aldeia continua cá mas em ruinas.

Na proxima postagem vou mostrar um lagar duma aldeia nossa vizinha em plena laboração
com a ajuda do meu amigo João da Malhada Velha

1 comentário:

Anónimo disse...

Boa noite amigos;cumpre-me mais uma vez dar os parabens a ti Luis por este magnifico trabalho.Sobre o assunto em questao tenho conhecimento que o lagar de BB é propriedade dos Herd de Antonio Roque,sera uma questao se houver alguem interessado em adquirir falar com a familia.Daria de facto um excelente museu,bar,restaurante,etc.
Tive conhecimento atraves de um familiar que o Tonito vai encerrar a sua actividade no final deste mês,o que nada abona para a nossa terra.Deixo aqui um alerta aos boguenses"NAO DEIXEM MORRER A NOSSA ALDEIA"