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terça-feira, 1 de julho de 2008

Acidente da A-23: culpas divididas?

Esta noticia publicada no jornal Kaminhos, orgão noticioso da nossa região que gosto muito de consultar deixou me com esta vontade enorme de recordar tambem amigos e familiares que morreram neste acidente todos eles nossos conhecidos

A morte de 16 pessoas continua por explicar


CINCO de Novembro de 2007, auto-estrada 23, perto de Castelo Branco. A noite do mais violento acidente do último ano nas estradas portuguesas continua por explicar. O prazo para concluir o inquérito-crime do Ministério Público (MP) ao acidente que matou 16 idosos está esgotado e, apesar disso, continuam por ouvir muitas testemunhas e a faltar os relatórios técnicos e médicos do caso.

É por isso que, oito meses depois de tudo ter acontecido, as famílias das vítimas mortais ainda não sabem o que verdadeiramente se passou, nem quando vão receber as indemnizações a que têm direito.

Uma das principais testemunhas, a condutora do ligeiro que, naquela noite, chocou com o autocarro dos alunos da Universidade Sénior de Castelo Branco - que caiu por uma ravina - só foi ouvida pelas autoridades após o acidente e não tem sido informada do desenvolvimento de todo o processo.
Carina Rodrigo, aliás, também ainda não superou o trauma: a professora de 44 anos está de baixa psiquiátrica, nunca mais conduziu e o seu Ford Fiesta continua apreendido.

O certo é que o prazo para a conclusão do inquérito-crime que foi aberto pelo MP logo após o desastre (precisamente oito meses) está praticamente esgotado. «É estranho este atraso na entrega do relatório por parte do Ministério Público», afirmou ao SOL Arnaldo Brás, presidente da Universidade Sénior de Castelo Branco.

«Estão a ser feitas todas as diligências para resolver o mais depressa possível a situação», assegura, por seu lado, Alexandra Martins, a magistrada do MP titular deste inquérito no Tribunal de Castelo Branco. «É preciso ouvir muitas pessoas e juntar muitas provas técnicas e clínicas», explica, numa referência ao diversos relatórios, como algumas autópsias, que não chegaram ao processo ou ainda não foram analisados.


Um dos documentos que ainda não se encontra na posse da magistrada é o relatório técnico sobre o acidente – da responsabilidade do Instituto Superior Técnico e do Laboratório Nacional de Engenharia Civil. Mas o SOL sabe que já está concluído e deverá em breve ser enviado ao MP. Mas o desfecho do caso ainda está longe.

Culpas divididas

Apesar disso, João Marcelo, o advogado das vítimas, adianta, baseando-se no «feedback que tem tido das empresas de peritagem» que «as culpas serão distribuídas pelas duas partes: o carro ligeiro e autocarro da Câmara».

Uma situação que, considera, será «vantajosa» para as vítimas, para efeitos de indemnizações: «Poderemos atingir os montantes máximos de indemnização – um milhão e 200 mil euros através do seguro da viatura ligeira, e 50 milhões pelo do autocarro, o que dará um valor apreciável para cada família».

No entanto, estas indemnizações só poderão ser definidas – no âmbito de processos crime e processos cíveis – depois de o MP concluir as investigações e identificar os responsáveis pelo acidente.

Até agora, as únicas compensações a que as famílias tiveram direito foram os montantes pagos pela seguradora da Universidade e da Câmara Municipal de Castelo Branco. «Os alunos tinham um seguro de acidentes escolares que foi já pago, no valor de 25 mil euros por morte e despesas médicas aos acidentados. A Câmara tinha ainda efectuado um seguro de viagem que foi pago de imediato», diz o representante da Universidade.

Naquela noite, o autocarro transportava 37 alunos, que regressavam de uma visita à Nazaré e a Fátima. Quase metade morreu. Mas a vida na Universidade está a regressar lentamente à normalidade. «Desde Janeiro deste ano que continuamos a promover visitas de estudo, agora mais bem organizadas», diz Arnaldo Brás, reforçando: «As pessoas estão a reagir bem, porque continuam a inscrever-se nestas viagens».


29-06-2008 João Morgado/Sónia Graça Ka/SOL