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São exactamente as nossas raizes culturais, familiares e sociais que nos distinguem.




quarta-feira, 18 de junho de 2008

Á Sombra do Castanheiro

Meus caros amigos, hoje ao dar uma vista de olhos por um jornalinho chamado Amigo do Povo, deparei me com esta conversa entre o tio AMBRÓSIO e o CARLOS, e lembrei me da nossa terra;,quando ainda havia castanheiros ali pela Ladeira na Fernã Coelha uma fazenda situada no cabeço de sobreiro



Senta-te, Carlos! Está uma tarde aprazível, daquelas em que nos apetece usufruir desta sombra amiga do meu velho castanheiro. Este, por estar aqui ao pé de casa, foi dos poucos que se salvaram do incêndio do Verão passado.

– Teve sorte, Tio Ambrósio! A muitos de nós, tudo o fogo levou! Olhe-me para aqueles montes ali em frente. Nem parecem os mesmos, assim despidos de qualquer vegetação.

– A natureza vai resolver esse assunto, Carlos! Demora o seu tempo, mas resolve!

– E nós vamos dar uma ajuda! Pelo menos no que se refere a árvores de fruto, eu já este ano plantei umas tantas. E aí pelo Cabeço, quase toda a gente fez o mesmo. Quanto à floresta propriamente dita, a questão é um pouco mais problemática, porque é uma matéria em que ninguém se entende. Uns acham que os proprietários devem ter a liberdade de plantarem o que quiserem, o que equivale a uma nova invasão de eucalipto, pelas razões que todos conhecemos.

– Nestas coisas, as razões económicas imediatas não deviam prevalecer sobre as razões ambientais, e eu diria mesmo razões culturais. O eucalipto é uma importação que dá lucro, mas que não faz parte da nossa paisagem histórica. Se tu fores, por exemplo, a ler um romance do século dezanove, como a "Cidade e as Serras" do Eça, ou o "Amor de Perdição" do Camilo, não encontras lá nenhuma referência ao eucalipto. Mas encontras ao castanheiro, e ao carvalho, e ao choupo. Essas espécies é que fazem parte do nosso património paisagístico. Tu já imaginaste o que seria o vale do Douro coberto de eucalipto?

– Nem é bom pensar nisso, Tio Ambrósio!

– Estás a ver? O Douro é bonito coberto de vinhedos, salpicados aqui e acolá por uma mancha de castanheiros ou de cerejeiras.

– Aqui os nossos montes não são propriamente o vale do Douro...

– É verdade, Carlos! Mas eu já me recordo do primeiro eucalipto que aqui se plantou. Era único, ali ao pé da Lomba. Antes disso, aquela encosta ali em frente era toda coberta de castanheiros e medronheiros. Mesmo o pinheiro era só um aqui e outro acolá.

– Isso eram tempos que já lá vão!

– Mas que fazem parte de um património que nós deveríamos tentar remperar. Tu já viste? Se os homens se juntam para defender e promover o vinho, organizando confrarias, também se podiam unir para definir e promover a castanha.

– Até já há a confraria do nabo!

– E muito bem! Eu a essa dos nabos não me agradaria muito pertencer, mas concordo que os cidadãos não deixem ir as tradições das suas terras por água abaixo.

– Estou a ver que o Tio Ambrósio estaria disposto a fazer parte de um grupo de cabecenses que se organizassem em confraria de castanheiro, ou outro nome parecido.

– E porque não, Carlos? Durante centenas e centenas de anos, a castanha foi a base da nossa alimentação. Fazia-
-se sopa de castanhas, puré de castanhas. Pilavam-se as ditas para aguentarem o ano inteiro. Eram o governo da casa de família, a par da salgadeira e da arca do trigo ou do centeio.

– Não está mal alembrado, não senhor! Olhe que eu sou bem capaz de propor ao Sanguessuga, ao Liberato e ao Lopes da Junta, que metam ombros a uma coisa dessas. Se há a confraria do pepino, não vejo nenhuma razão para não fundarmos a confraria da castanha pilada. Tinha piada, Tio Ambrósio!

– Podes brincar, que a mim pouco se me dá, Carlos!

– Parece-me, mas não estou a brincar, Tio Ambrósio! Além disso, agora é que era o momento oportuno para se pensar numa coisa dessas. Temos aí encostas soalheiras que estão mesmo a
pedir que as cubramos de castanheiros e de carvalhos, e não de eucaliptos. Mais, Tio Ambrósio! Apostar numa
coisa dessas é que era ter visão de futuro! E eu nem vejo nenhum obstáculo a que se volte a fazer sopa de castanhas, ou a tê-las como acompanhamento de qualquer prato. Penso até que, lá para as bandas de Trás-os-Montes ainda estão vivos esses e outros costumes.

– Aliás, meu caro Carlos, é isso que nos pode continuar a distinguir dos
outros povos e da universalização da batata frita. Só que, para tanto, é preciso plantar castanheiros. Eucaliptos não produzem castanhas, nem nada que se coma, Carlos!

– Não sei se seria preciso uma atitude tão radical, Tio Ambrósio! Também precisamos de pasta de papel...

– Eu sei, Carlos! Só que não vejo por aí nenhuma intenção de ordenamento. Isto ardeu tudo, e agora que se podia fazer uma reflorestação ordenada, cada um dá a sua sentença, e vai ficar tudo na mesma. Qualquer dia tens aí tudo coberto de matagais, vem outra vez o fogo e reduz tudo a cinzas. E tudo por falta de clarividência e de vontade.

– De quem, Tio Ambrósio?

– De nós todos, Carlos!
Extraido do jornal Amigo do Povo

Aconselho vos a terem cuidado com o lume especialmente com as pontas de cigarro a arder deitadas em andamento para fora dos carros.
Veem aí as férias e tambem o calor, nunca é demais relembrar que o perigo é maior, podendo provocar danos irreparaveis

Um abraço para todo o mundo

2 comentários:

Teresa Catarino disse...

Caro Luis, assim como você também sou antunes e fiquei emocionada ao ler o texto, pois fez-me lembrar dos anos já passados em que conheci o meu avô Antunes da Malhada Velha e ao pé dos castanheiros de sua propriedade pude ouvir muitas histórias dos "mouros". Era mágico entrar no tronco do castanheiro e apanhar os ouriços e levar as castanhas para mais tarde atirá-las ao lume e vêlas estourar. Hoje moro no Brasil (conheço muitos eucaliptos!!!) e ao ler o seu texto pude verificar que pessoas como você conseguem resgatar esses sentimentos que a muitos passa desapercebido, Parabéns! Meu nome é Maria Teresa Catarino Antunes e meu avô chamava-se Antonio Antunes Bento, um portugues que amava seu pedaço de terra e tudo o que ela lhe dava em troca (saudades).

be disse...

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