Subindo até ás Pedras Lavradas


Este percurso que estou agora a iniciar, faz me reviver a saudade de  grandes  patuscadas com amigos e clientes no meu tempo de Caixeiro Viajante, quando trazia para estes povos as carradas de mercearias azeites e vinhos.
Saio do Ourondo e subo Serra acima pela Estrada Municipal 511 olhando para um lado e para o outro é a visão de grandes extenções de serra queimada mas ao mesmo tempo lindas paisagens verdes .

Pouco tempo depois estava a entrar em Casegas, parei para beber um copo e  aproveitei para uma conversa de café  com algumas pessoas da minha faxa etária, sobre o tempo que Casegas era mais pobre e tinha mais gente
Eram muitos os estabelecimentos comerciais tabernas, mercearias, casas de farrapos sim porque naquela altura não havia as confeções que hoje adquirimos por esses centros comerciais a dentro.

Naquele tempo
cada terra tinha pelo menos um Alfaiate e costureira, um sapateiro, um ferreiro amolador de facas e concertos de guarda chuvas. e havia ainda o ferrador que metia pneus novos no transporte daquele tempo., burros , machos e alguns cavalos. Hoje dizem me aqui as pessoas que quando nescessitam algo mais importante vão ao Fundão á Covilhã e até a Castelo Branco para se haviarem para o mês inteiro.

Isto no Verão é uma festa os emigrantes e  outros filhos da terra espalhados por todo o País veem dar uma voltinha á terra, passar uns dias de repouso, pelo menos respirar outros ares.
http://casegas-a-minha-terra.blogspot.pt/ e http://casegas.blogspot.pt/ teem sido uma ótima fonte de pesquisa para estar sempre a par do que se passa na região
Sabemos que o Padroeiro cá da terra é  São Pedro, foi Freguesia que terá sido extinta nas ultimas eleições pertencendo agora á União de Freguesias Casegas e Ourondo, da qual é a sede.



Come se por aqui muito bem, pratos regionais como Couves com feijão, borelhões, (noutros lugares dão lugar ao célebre maranho), peixinhos da ribeira, cabrito, papas de carolo e bolos de bicarbonato.ou seja  bolos de soda como se chamam no Fundão.

Casegas é uma aldeia bem apetrechada das principais nescessidades da população, existem aqui varias associações como Centro Social e Cultural de Casegas, Banda Filarmónica Caseguense, Grupo de Teatro da Casa do Povo de Casegas "Os Polichinelos", Grupo de Cantares Sol Nascente e Associação de Caçadores, Pescadores e Agricultores de Casegas

Está rodeada por duas ribeiras, a ribeira de Unhais e muito especialmente a ribeira de Casegas que nasce alguns quilómetros mais acima  em Sobral de Casegas  e tem piscinas naturais ao longo da ribeira.


Muito mais há para dizer sobre Casegas mas aconselho vos a consultar os meus colegas blogueiros cujos links podem copiar mais acima na página.

Entretanto tenho que referir antes de seguir para o Sobral, que Casegas possui um vasto património cultural Capela das Almas, Capela do anjo da Guarda, 1ª Casa de Casegas "Abrasonada", Igreja Paroquial, Ponte de Origem Romana, Forno Comunitário, Lagar de Azeite, Moinhos Tradicionais
E cá vou eu  a caminho do Sobral cujo nome segundo reza a lenda deriva do Cabeço Sobral ,um souto de castanheiros que existiu no alto da serra



 O Sobral de S. Miguel chamava se noutros tempos Sobral de Casegas de cuja freguesia fazia mas separou se de Casegas e hoje mantem ainda a Freguesia de Sobral de S Miguel



Muitas vezes talvez centenas eu por aqui passei aqui angariei boas amizades e sobretudo bons momentos passados, os Sobralenses de mais idade ainda lembram canções, histórias, lendas contadas pelos  pais e avós nas longas noites de inverno, aos serões enquanto descascavam castanhas cozidas ou assadas.
isto foi terra de castanheiros.


A minha viajem não acaba aqui, continuei a  subir a serra até ás Pedras Lavradas. Um local muito conhecido nas Beiras Baixa e Alta por ser aqui uma espécie de fronteira entre as duas, deste alto a panoramica é soberba,




para um lado as serras e povoações da Beira Alta e para o outro a extensa Cova da Beira Aqui parei muitaas vezes ao longo dos anos e em tempo de frio neve e gelo era neste estabelicimento que continua solitário, que a gente se aquecia com uma boa dose de bebida branca  ou tratava da barriguinha a dar horas- Cá em baixo na cova uma linda aldeia chamada os Trigais



 ponto de referencia para quem viajava e viaja  entre a Beira Baixa e Coimbra pela estrada da serra
Fico me hoje por aqui a respirar estes ares puros da serra e voltamos á estrada muito brevemente

Zona de Barroca Grande

Continuando a minha voltinha meto me á estrada em direção á Barroca Grande, antes do cruzamento para as Minas da Panasqueira passo perto do monumento aos mineiros.


Como quase todo o mundo deve saber, Barroca Grande pertence à freguesia de Aldeia de São Francisco de Assis, no concelho da Covilhã, distrito de Castelo Branco, em Portugal. É a aldeia do Couto Mineiro das minas da Panasqueira mais importante, ficando aqui sitiada a sede da Beralt Wolframio
Faço uma pequena paragem aqui em Aldeia de São Francisco onde tenho alguns amigos e antigos clientes, A aldeia era tambem conhecida por Bodelhão, foi povoação anexa da freguesia de Barroca do concelho do Fundão, até 1895 e esteve anexada à extinta freguesia de Ourondo até 1901
Fui descendo mais uma vez até ás margens do Zêzere, esta é a ponte que liga o concelho da Covilhã ao concelho do Fundão no sitio chamado  Lavagem do Rio. Era para aqui que eram transportadas as areias das minhas através de caldeiros suspensos em cabos de aço e aqui eram lavadas para extrair o mineral.

Voltei á esquerda sempre á beira rio e cheguei ao Ourondo,










nesta belíssima panorâmica da aldeia podemos ainda avistar Silvares que fica na outra margem do rio e por isso pertencente ao concelho do Fundão

uma aldeia cuja sede de freguesia foi extinta este ano  2013, no âmbito de uma reforma administrativa nacional, tendo sido agregada à freguesia de Casegas, para formar uma nova freguesia denominada União das Freguesias de Casegas e Ourondo com a sede em Casegas

Nas ultimas eleições e porque havia a extinção da freguesia o povo revoltou se não houve votação e destruíram inclusivamente a urna e os boletins de voto, mas  a eleição repetiu se e o Ourondo fica mesmo agregada á freguesia de Casegas
que é por onde tenciono seguir amanhã, com a viagem feita de inúmeras e boas  recordações
Voltaremos por isso a encontrar nos por aqui amanhã ou outro dia calcorreando por estas aldeias de trás de serra

Repassando por aldeias da Beira

Hoje inicio a viajem  na Barroca  e vou até  Alqueidão, atravessando o rio zezere este magnifico curso de água que atravessa toda a Beira Baixa proporcionando ás populações ribeirinhas um enorme catálogo onde figuram lindas  e repousantes praias fluviais, algumas albufeiras destacando se a do Cabril e  a de Castelo de Bode, fornece agua para a agricultura que estes povos á sua beira fazem com tanto esforço, e fornece tambem o precioso liquido para as populações beberem e consumir em casa e no jardim

no outro lado do rio já no Concelho da Pampilhosa Distrito de Coimbra encontro uma localidade que me deixa enormes e gratas recordações, que é Dornelas do Zezere Nos meus tempos de caixeiro viajante tive aqui bons clientes e fiz muitos amigos alguns infelizmente já não se encontram entre nós

  seguindo estrada fora passei  poucos kilómetros á frente pela pequena e airosa povoação de Carregal, para sempre conhecida como a terra do padre Gregório que segundo reza a lenda depois de morrer o seu caixão aparecia aos viajantes que passavam ali pelas bandas do Penedo do Barroco, mais precisamente nas Chafurdas . Isto ouvia eu varias vezes das bocas do povo de Bogas e  também o meu avô me contou.

E cheguei ao Maxialinho onde tive amigos que desapareceram alguns morreram outro emigraram, Nesta capela do Maxialinho ainda se realiza anualmente uma grande festa religiosa e pagã
 

Antes de prosseguir  dei um saltinho aqui a baixo ´a beira do Rio, aldeia de Porto de Vacas, bebi um café num estabelecimento de gentes da minha terra , cumprimentei alguns amigos destaco o António Costa construtor civil
Ali o Zezere da nos uma imagem soberba  local magnifico para uns mergulhos no verão

Fiz me de novo á estrada, cheguei ás Portas do Souto esta casa que vemos aqui na imagem pertence a um amigo e antigo Cliente, o Ti Zé Maria, como estava tudo fechado nem sei o que é  feito dele
daqui podemos descer até Adurão terra do meu avô materno passando antes na Póvoa da Raposeira onde se fazem grandes tibornas no lagar da aldeia que por sinal está muito bem apetrechado e moderno

Segui serra acima e cheguei á Portela de Unhais  esta casa era um comércio cuja proprietária era a ti Elvira que nos dias que a visitava quando comercializava pastelaria estava sempre á espera dizendo que vinha tarde, os clientes passavam e não tinha bolos para os servir. Tambem estava fechada pelo que da ti Elvira nada soube. Neste cruzamento já tinha passado á dias quando passei por Unhais o Velho e Malhada do Rei. passando a sul do paredão da Barragem de  Santa Luzia e parei no Armadouro.


 mas havia ainda um outro cliente o amigo e senhor Marcelino, com sua fábrica de móveis e a residencial e aí fui ainda algumas vezes  seu cliente

Hoje fico me por aqui subi um pouco mais  e comecei a avistar toda aquela extensão da serra do Açor. A aldeia que vemos ali no horizonte é as Aradas terra do meu amigo Batista e lá mais longe mesmo na encosta da serra fica as Meãs terra do ti Viriato que foi tambem meu cliente durante anos,nas Meãs e na Barroca Grande onde tambem estava estabelecido


E daqui do alto da Portela de Unhais pude ainda deslumbrar me olhando para estas magnificas paisagens que temos na Beira Baixa

 Espero seguir viajem para a Barroca Grande e Aldeia se  São Francisco e depois vos conto como foi



Calcorreando a serra

Tinhamos ficado na Casa do Guarda  no Parque Florestal da gardunha
e pensei sériamente na hipótese de subir até á Senhora da Penha e foi o que fiz 

Passei ali ao lado das antenas e segui serra fora, o caminho é terra batida mas transitável e depois dá nos a oportunidade de usufruirmos de uma paisagem de perder o folego tanto virados para norte como para sul.
Dificil era  encontrar o melhor trajeto porque lá no alto da serra é um labirinto
Caminhos que vão certamente sair a Castelo Novo, um outro em direção á Soalheira, ainda outros que nos levariam certamente até ao Souto da casa ou á Paradanta
                                                                       Lado sul
, escolhi o que me parecia melhor e depois de passar o cume da serra, comecei a descer sempre muito devagar estes caminhos estão certamente destinados a veículos 4x4 o que não era o meu caso, mas continuo a afirmar que valeu a pena. 
                                                                  lado norte
olhar em frente e ver aquela paisagem magnifica da transição da Beira para o Alentejo, 
Daqui a visão vai até Monsanto e Espanha por outro lado avistamos Castelo Branco e toda a extensão até ao Tejo  em Malpica  na fronteira com Espanha. 


passei aqui ao lado da casa florestal do Louriçal que me parece meio abandonada. a foto foi pesquisa google.


Aqui ao lado uma imagem de Jaime Gama  á beira da barragem do Penedo Redondo vendo se mais ao longe a Barragem da Marateca ao lado da A23 entre Lardosa e Soalheira

Mais uma etapa e eis nos a entrar na aldeia de Casal da Serra, uma pequena aldeia escondida cá no meio da montanha de onde era oriundo o meu tio Lourenço José infelizmente já falecido. É uma aldeia muito simpática, como em todas as aldeias da serra as pessoas ainda ficam admiradas por verem estranhos nas suas aldeias, mas a simpatia é uma realidade
Daqui até São Vicente da Beira já usufruimos de uma estrada asfaltada a Estrada Municipal 1224. 
Continuámos serra fora  entramos em São Vicente e dirijo me de emidiato para o lugar da Nossa Senhora da Orada.
 A Capela  é um templo simples do início do século XVIII, mas cujo culto remota ao século XV. No seu interior encontra-se uma pia manuelina e baixos-relevos de escola de Coimbra de finais do século XVI. O espaço do santuário foi recentemente recuperado, como reza uma placa à entrada: "Inauguração/ 

Electrificação do recinto e recuperação da capela, por sua Excelência o Presidente da Câmara Municipal de Castelo Branco, Joaquim Mourão./ 25-5-2003. Obras só possíveis devido ao seu grande empenho." Nestas obras inclui-se o arranjo de um parque de merendas à sombra de jovens amoreiras e a construção de assadores para churrascos, muito procurados nos fins-de-semana de Verão e durante o dia da romaria. 
Ao fundo do parque de merendas encontra-se a Fonte Santa, onde a água cai de duas bicas incrustadas num penedo, sendo a nascente a 50m a montante no ribeiro. Sobre a bica um painel de azulejos com o seguinte dizer: 
"Nossa Senhora da Orada
vossa água tem virtude:
Com ela tantos doentes 
recuperam a saúde"


E hoje acabo a esta viajem aqui na Senhora da Orada onde aproveito para beber um copo de agua fresca e cristalina da fonte da Orada, a mesma água que podemos beber em todo o país se comprarmos nos hipermercados as sobejamente conhecidas Aguas Fonte da Fraga Esta é a empresa que explora as aguas
e prontos despeço me de todos com aquele abraço até á proxima viajem

Terra batida com muito pó

Continuamos a calcorrear a serra desta vez com um grande percurso em estradas sem asfalto, embora com boas condições de utilização têm o problema de carregar o carro de poeira


Saio do Ingarnal e subo até ao alto do Zibreiro onde começo a avistar aquela grande fila de caravelas a produzirem eletricidade á força do vento.Passámos ao lado da central elétrica pela serra da Moeda e  da Maunça e fui  encontrar o asfalto ali por cima da Paradanta, a EN 352

 descendo depois para Vale de Urso , uma pequena aldeia bastante conhecida pelos Bombeiros portugueses derivado á grande onda de incêndios que tem assolado a zona nos ultimos anos, realmente é uma dor de alma ver todas estas encostas cobertas de cinzas
 Mais abaixo em Casal Alvaro Pires virei á esquerda por uma estrada de asfalto até á capela de Santa Luzia no Castelejo 

Aldeia tipicamente serrana, localizada no sopé da Serra da Gardunha. com um património arquitetónico e etnográfico, assinaláveis destacando-se a Casa Museu "Casinha Típica da Aldeia", que retrata a arquitetura e tradições locais, a Igreja Matriz e a capela de Santa Luzia. No artesanato, são características as peças de ferraria, sapataria, almofadas, colchas, rodilhas e rendas.
Virei á direita pela N 238 e ao passar em Vale Palaio reparei nas grandes transformações
Foi construida a partir daqui uma variante ao Castelejo, existe uma rotunda simpática de onde sai a estrada que calcorreei ainda á pouco a N 352 em direção  a S Vicente da Beira e Castelo Branco.
um pouco mais acima fiz uma pequena pausa no terreiro do Senhor da Saude onde se realizam anualmente grandes festejos e muita animação
Daqui ao Souto da Casa centro da aldeia é apenas um pulinho,
 Entrei pela Rua César Pinto e João Martins Freire,  esta aldeia era conhecida pela terra dos mil e um ofícios.  Habitavam aqui,onde trabalhavam e comercializavam alguns  pastores, agricultores, alfaiates, carpinteiros, marceneiros, latoeiros, sapateiros, tecedeiras, padeiros, tanoeiros, albardeiros, ferreiros, ferradores, capadores, tosquiadores, carvoeiros, lenhadores, lagareiros, moleiros, ganhões, malhadores, canteiros, pedreiros, cesteiros, etc.
Terra de grandes tradições muito bem localizada aqui no sopé da Serra, está a pouca distancia do Fundão sede do concelho
Daqui do alto podemos apreciar esta grandeza toda que é a Cova da Beira tendo ao fundo a bonita e fria serra da estrela
De Souto da Casa para Alcongosta foi construida há anos uma estreita estrada Municipal, asfaltada que em muito veio benificiar as gentes destas duas aldeias e não só

quem tiver o previlégio de passar por aqui na altura da cereja pode regalar a vista e o estômago apreciando estas imagens magníficas das cerejeiras carregadas de fruto e comer pois estão aqui mesmo á mão de semear
estamos quase a entrar em Alcongosta conhecida como a capital da cereja  e fica situada na encosta da serra da Gardunha.

Iniciei aqui uma nova subida á serra  e um pouco acima de Alcongosta , parei  na Casa da Floresta (casa do guarda) floresta que outrora foi um um espaço de denso arvoredo que se foi esfumando ao longo dos anos porque é rarissimo não haver um ano sem que aqui ou ali se veja a serra a arder.

Hoje fico me por aqui, com a promessa de continuar viajem por essa serra acima descobrindo novos recantos e revendo outros já bastante conhecidos.
Encontramo nos por aqui na proxima narrativa