Aldeias de trás de serra


Depois de deixar para trás o Armadouro rumei a  casa, mas a minha profissão de vendedor (caixeiro viajante), permitiu-me ficar a conhecer muitos e belos recantos deste lindo País  que é o nosso Portugal, Quando eu vivia  em Castelo Branco e colaborei com uma Imobiliária sediada na cidade, percorri quase todas as aldeias da Beira Baixa na angariação de imóveis para venda
Hoje estou a recordar uma dessas minhas incursões ali p'rós lados da Serra do Muradal e comecei por Cardosa,



 Uma terra que me é bastante familiar por ter lá bons amigos e por ter já por aqui passado muitas vezes anteriormente.
 Estas são imagens de algumas artérias da aldeia que são quase todas bastante acentuadas porque a localidade fica situada numa encosta da serra
 Mas como quase todas as aldeias da Beira Baixa apresenta se sempre muito limpa tendo os seus habitantes o cuidado de depositarem o lixo nos contentores modernos para que o lixo possa ser depositado separadamente conforme o seu tipo
 em quase todas estas aldeias angariei imóveis para venda sendo quase todos ou muito velhos nescessitando uma restruturação total, ou parcelas de terreno com palheiro, onde se poderia construir uma habitação, mas isso só interessaria a gentes da cidade, para poderem ter uma casa onde passar férias tranquilas ou mesmo apenas alguns fins de semana
Daqui da Cardosa podemos seguir em tres direções, uma subindo até á estrada Nacional que liga Castelo Branco a Oleiros, sede do concelho e passado antes por Sarnadas de S  Simão que é a sede de Freguesia
Uma outra saída desce em direção á Vinha, Silvosa, Paiagua ligando á estrada N112 que liga Castelo Branco a Coimbra
há depois uma outra que liga á Sarzedas, descendo a montanha chegamos a Pé da Serra

Pé da Serra
Parei junto deste local e aqui está um dos imóveis que se vendiam na altura, alguns tinham facil recuperação mas eram heranças quase sempre com muita dificuldade em fazerem se escrituras


Pé da Serra é uma aldeia gira com gentes muito acolhedoras, tive aqui alguns clientes quando vendia materiais de construção, com quem fiz amizade, bebiam se belos copos no inverno sentados ao calor da brasa
No meu percurso segui estrada fora e chego a
Azenha de Cima
Aqui parei para ver um antigo lagar que o proprietario queria por  em venda, não aceitei porque o valor que ele pedia não teria qualquer hipótese de venda
Mas isso não impediu de termos entrado na adega e provar o tinto e degustando um bom bogado de presunto pendurado no teto e era só passar a faca, Só nestas terras a gente encontra gente com esta maneira de receber as visitas


Magueija
depois passei aqui na Magueija aldeia que não difere em nada das anteriores


e cheguei á linda aldeia de Maria Dona, localizada nesta estrada Municipal que liga  Azenha de Cima  ao Padrão tambem conhecida por estrada de Santa Clara. nunca soube porque tinha esse nome

Vale Maria Dona


Aqui  é a Grade que liga quase com Pousafoles e onde algumas vezes abastecia o carro numa area de serviço que havia, não sei se ainda existe aqui do lado direito da estrada
Quando eu trabalhava na área dos materiais de construção, já tinha aqui um cliente que  mesmo aqui numa localidade perdida no coração da Beira, tinha uma boa clientela
São naturais daqui  o padrinho de casamento da minha mulher, o Anibal Henriques que foi cunhado e sócio do Pereira Nunes do Fundão onde eu tambem trabalhei no ramo alimentar, e o seu irmão Moisés  meu amigo antigo colega que habita em Alpedrinha
este cruzamento onde vemos alguns contentores de lixo já a abarrotar dá acesso ao Pousafoles, onde vivem gentes da minha terra

Hoje paro por aqui com a promessa que irei recordar e partilhar mais algumas aldeias e recantos da Beira Baixa por onde passei algumas muitas vezes  e outras nem por isso

aldeias de trás de serra

Depois de passar em Malhada do Rei seguimos pelo Caminho Municipal 1504 até Vidual de Cima, ao lado do cemitério apanhámos a Estrada Municipal 547 seguindo ao longo da Barragem de Santa Luzia até Vale Grande atravessando depois por baixo do paredão da barragem o rio Unhais que no seu longo percurso atravessa a sede de concelho Pampilhosa da Serra indo desaguar na barragem do Cabril em Pedrógão Grande.
Depois de atravessar o rio subimos a encosta e entrámos na Nacional 344 que liga a Portela de Unhais á Nacional 112  Castelo Branco-Coimbra.
A meio do percurso parámos na Portela do Armadouro e aproveitámos para fazer uma visita mais demorada ao Armadouro






 uma localidade  pertencente à freguesia de Cabril, município de Pampilhosa da Serra, no distrito de Coimbra.
Se não sabem ficam a saber, foi aqui que  nasceu o cantor  Tony Carreira. oriundo de uma vasta familia de emigrantes alguns dos quais com quem privei e foram meus amigos
Esta povoação está situada a sudoeste da sede de freguesia, a uma altitude de aproximadamente 700 metros, numa ligeira depressão entre duas portelas: uma que dá para o Cabril e a outra para as terras de Janeiro de Baixo.
 De acordo com o quadro demográfico da freguesia, este agregado manteve sempre o segundo lugar no que respeita ao número de residentes. Uma das características dos seus naturais foi, desde sempre, a sua comprovada aptidão para o comércio, mais tarde alargada à construção civil, capacidades estas, porventura compensadoras da carência de linhas de água e solo apto para a lavoura
. O Armadouro encontra-se hoje beneficiado em termos de vias de comunicação. Mas é justo recordar as dificuldades por que passou outrora este povo na sua ligação com a sede de freguesia, não só pelo distanciamento como também pela difícil travessia do rio Unhais, no inverno, quando o caudal das águas não permitia a passagem a vau. Após muita insistência e justas queixas, o problema foi resolvido com a construção de uma nova ponte, em substituição da que outrora havia existido, de madeira. Infelizmente, também esta prima pela fragilidade e ausência de dimensões adequadas
.
É notório o grande desenvolvimento urbano actualmente verificado nesta terra. Possui cemitério, escola primária e uma capela em honra de Nosso Senhor dos Milagres, com festividade a 6 de Agosto. A recente instalação de lagar de azeite. de elevada tecnologia, constitui mais um elemento de valorização desta aldeia.


aldeias de trás de serra


Esta mensagem faz me recuar aos anos 80 quando calcorreava estas estradas estreitas e sinuosas da serra
Saía do Fundão e entrava no concelho da Pampilhosa da Serra e adorava conversar com estas gentes  que para além de honestas e trabalhadoras, recebiam com carinho os que as visitavam.

hoje vou especialmente recordar uma pequena aldeia situada nas margens da barragem de Santa Luzia  que teve melhor sorte que o Vidual  submerso nas águas da barragem

Malhada do Rei é uma pequena aldeia situada a poucos kms da sede de freguesia, que é Unhais-o-Velho e a 5 km de Vidual de Cima.
.A 25 km a norte da sede de concelho, Pampilhosa da Serra, entre montes, serras (Rocha e Picoto) e ao cimo da Barragem de Santa Luzia, o que lhe dá uma beleza incomparável.
 Como quase todas as aldeias a norte do concelho é das mais pobres.

Da sua origem pouco se sabe, mas consta que nasceu de uma pequena quinta chamada Aziral,não se sabe ao certo há quantos anos.
 Há documentos que confirmam que em 1783, nesta pequena quinta, constituída por apenas sete famílias que viviam em pequenas casas construídas de pedra e barro (o cimento da época), com telhados de xisto, quase coladas umas às outras, com o fim de se abrigarem dos invernos frios e chuvosos,
 Havia uma capela que tinha como padroeira Nossa Senhora dos Remédios
(tradição mais antiga que se consegue apurar e que se mantém ainda hoje,
 no dia 21 de Novembro dia santo na aldeia).
Os malhadenses foram sempre gente muito alegre e divertida. Todos os momentos eram oportunos
 para se fazer uma festa. Na malha do centeio e do trigo na eira, na desfolhada ou estona do milho
 dentro do palheiro, nas debulhas, tudo dava direito a requintadas merendas, onde nunca faltava a broa,
 as filhos, sempre acompanhadas de uma boa pinga. Bem comidos e bebidos tocavam-se e cantavam-se
 as cantigas daquele tempo. Havia famílias com doze irmãos, todos sabiam tocar e cantar o fado,
 que facilmente proporcionavam um bailarico. Estavam sempre bem ensaiados para as tradicionais festas.

à semelhança do que acontece um pouco por todas as aldeias da região, é no  início  de Agosto que se realiza a festa. e visita-se de porta em porta, todos os malhadenses para recolher as suas ofertas para a quermesse, a tocar e a cantar, a comer e a beber para regar as gargantas.




(informações recolhidas nos sites Memoria Portuguesa e da própria aldeia )

Aldeias Históricas da Beira Interior

Hoje vamos escrever algo sobre aldeias históricas da Beira Interior 
e nada melhor que iniciar mos com a conhecida e reconhecida aldeia de Sortelha

Ficheiro:Sortelha aldeia granitica.jpg

Sortelha foi vila e sede de concelho entre 1288 e 1855, quando este foi extinto.

A primeira ocupação da região remonta à pré-história, suspeitando-se que a vila 
foi erguida sobre um castro neolítico. Posteriormente, foi ocupada pelos Romanos,
 Visigodos e Muçulmanos. Durante a Reconquista Cristã, tomou a defesa de região fronteiriça,
 disputada entre Portugal e Castela. Nessa altura, chamava-se Pena Sortelha.

Ficheiro:SortelhaCastle.jpg

                                                      O Castelo de Sortelha 

Erguido sobre um maciço granítico em posição dominante sobre o vale de Riba-Côa, área de passagem entre a Meseta Ibérica e a depressão da Cova da Beira, integra o conjunto da que é considerada uma das mais bem conservadas Aldeias Históricas da Beira Interior.
Ficheiro:Nt-pelourinho-sortelha.jpg

                          O Pelourinho de Sortelha
encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933.



Sortelha quer dizer “anel” e poderá ser esta a origem do vocábulo, talvez por causa da cerca amuralhada,
 de formato ovalado. D. Sancho II deu-lhe Carta de Foral em 1228, renovado em 1510 por D. Manuel I.

Uma segunda cerca defensiva foi construída no séc. XIV e, depois da Guerra da Restauração,
 que terminou em 1640, as muralhas foram adaptadas às novas realidades da guerra, como a artilharia.

. Era constituída pelas freguesias de Águas Belas, Urgueira, Bendada, Casteleiro, Malcata, Moita,
 Pena Lobo, Santo Estêvão, Sortelha e Valverdinho.
Após as reformas administrativas do início do liberalismo foram-lhe anexadas as freguesias de Lomba e Pousafoles do Bispo.

Artes e Sabores da Maúnça

Realiza se este fim de semana na linda aldeia do Açor concelho de Fundão e Distrito de Castelo Branco,
mais um grande evento que vai certamente levar muita gente dos arredores e não só, a subir aquela parte  da Serra da Gardunha  para assistir  a um dos mais saborosos eventos que se realizam em Portugal.
Ainda recordo o ano de 2009 quando subi até  á aldeia, ainda na companhia da minha mãe, que tinha muitas amigas lá na aldeia e gostava de se deslocar varias vezes  no ano a fazer lhes uma visita




nesta imagem onde estivemos com os amigos era a tasquinha na loja do nosso amigo Manuel João que com a ajuda de outros amigos quis tambem proporcionar aos visitantes  alguns dos petiscos saborosos
que aqui tão bem são confecionados
É tambem nesta altura que se celebra a chegada da castanha , que por estas bandas é de grande qualidade
Hoje a quantidade é inferior que há uns anos atrás muito especialmente derivado aos incendios que assolaram a Gardunha

Escrever sobre este evento e sobretudo desta aldeia situada no alto da serra não se pode esquecer que o que se apresenta nesta festa  é a tipica gastronomia do povo de onde se podem destacar
Os maranhos, , o coelho em azeite, a chanfana e o típico feijão com couve 


 É ao calor das lareiras que as pessoas se reúnem para comer as castanhas, provar doces, licores, aguardente de medronho ou o pão acabado de fazer no forno comunitário. Para ver, sentir e saborear!
nas imagens que se seguem podemos ver o meu amigo José João  a ajudar a esposa  na confeção das deliciosas filhóses do Açor, para além de variados doces   e bebidas caseiras

E depois destas belas imagens carregadas de produtos que nos fazem crescer agua na boca, algumas delas copiadas da bela pagina no facebook dedicada  a este evento,https://www.facebook.com/maunca
podemos ficar com a certeza que se formos ao Açor nesta altura para assistir  a  este evento extraordinario ou mesmo durante todo o ano, vamos poder deliciar nos com estes pitéus que as gentes do Açor tão bem sabem confecionar.
O Açor é uma aldeia que eu conheço bem  e tenho por isso algum conhecimento dos seus costumes, modos de vida das suas gentes que me dão a o prazer de escrever tudo isto

Serões de Inverno na Aldeia


Estas histórias serão eventualmente do conhecimento de muita gente
da minha geração, naquelas noites frias de inverno no aconchego das
brasas a crepitar no larado da cozinha, mas a juventude hoje passa
os serões nas discotecas e outros locais de diversão com calor diferente
menos saudável e saturado.
Eram os nossos avós  ou as pessoas mais velhas da aldeia que nos contavam 
histórias antigas, que nós crianças na época adoravamos ouvir

Hoje Os avós já não teem lareiras nem os netos fazem serões com eles
Os idosos hoje são normalmente enviados para um lar da 3ª idade, ou em muitos casos 
vivem sózinhos nas suas casas com ou sem aquecimento no inverno
No meu tempo de criança os filhos e os netos acompanhavam os avós durante a vida inteira
Não havia eletricidade e a gente passava os serões á luz de uma lamparina de azeite 
ou a petróleo, e enquanto ouviamos histórias antigas as mulheres com as suas rocas
e fusos fiavam a lã ou o linho que se produzia em pequenas parcelas de terreno, e era tratado
desde a sementeira até á fiação pelas mãos das mulheres da  aldeia

Recordo com muita saudade alguns desses  serões passados com os meus avós maternos,
 que embora tivessem uma cozinha de reduzidas dimensões, era suficiente para nos sentarmos
todos ao redor da fogueira, onde por cima havi aquelas compridas varas onde as chouriças,
 morcelas, farinheiras etc, se encontravam a secar ao calor.
Naquelas longas noites de Inverno, depois da ceia, muitas vezes ao som da chuva
 e o vento a fustigarem impiedosamente  a aldeia,

 ali estávamos todos reunidos ao redor da fogueira,
 onde ardiam grandes toros de ervideiro, oliveira, pinheiro etc que se conseguiam 
arranjar nos campos,com a ajuda do machado ou da picareta
Havia ainda o momento de se rezar pelos familiares e amigos
já falecidos.
no final do serão os mais velhos ainda contavam algumas histórias  sobre coisas vulgares,
 mas havia outras com mais fantasia,
 que até metiam bruxas e espíritos, vagueando por casas e caminhos assombrados

Foi assim que aprendi a viver

Estávamos na década 1950/60; neste País á beira mar plantado, o mais ocidental do continente Europeu, que  em  relação a esta mesma Europa, vivia com um atraso de 30, 40 ou 50 anos.
Cada casa de familia vivia  do que se tinha e muitos com a ajuda dos amigos

Nas poucas cidades cá da zona, ia-se vendo qualquer coisa de novo, como novos edifícios, arruamentos com novas urbanizações, alguns milagres da técnica que vinham de fora, tais como automóveis, rádios transistores e por último a televisão, etc.

lembro me da primeira camioneta que existiu em Bogas de Baixo e lembro me ainda como se fora hoje, da primeira carreira que veio a Bogas pertencente á então Empresa Martins Évora, e das tropelias que a gente fazia quando íamos esperar a sua chegada alguns Kms distantes do povo para virmos encavalitados na retaguarda numa escada que servia para levar a bagagem para o tejadilho.

 Mas tanto por aqui na Beira como no norte Transmontano ou no Alentejo, vivia-se quase como nos tempos medievais.  A própria aparência destes povoados assim o demonstrava.

 Não havia luz elétrica, vivia-se na escuridão, apenas quebrada pelos raios do luar ou de luz do  virginal azeite.a arder nas lamparinas

Já havia rádios a pilhas(muito raros) mas o som das emissoras, chegava atrofiado, as numerosas povoações rurais do interior não a tinham emissores regionais.

  Vivia-se do que a terra dava  e nada mais.  Cultivava-se a  terra para se sobreviver.

Aqui nas Beiras  assim como todo o Norte, salvo algumas pequenas  excepções nunca  existiu a generalização da grande propriedade assim quase todas as pessoas possuíam  um pouco de terra, á maior parte por herança dos seus antepassados.  Terra que não dava para nada, mas que chegava  para  se entreterem plantando umas couves, semeando umas batatas, feijão, milho, etc.

Houve uma mudança radical nestes costumes primeiro derivado á forte emigração que registou nesta época e que principalmente em terras de França foram grajeando algumas economias que iam enviando para cá e com isso as aldeias começaram a evoluir um pouco mais com a reparação das suas casas ou mesmo na construção de novas
Depois deu se o 25 de Abril e então sim aí o povo passou a ter liberdade emuito mais regalias.
os salários subiram, criaram se horáruios de trabalho em vez do anterior de (sol a sol) o mesmo que dizer inciava se o trabalho ainda não tinha rompido a aurora e terminava já noite com a luz da lua.
Mas infelizmente o 25 de Abril foi sol de pouca dura e hoje muitos portugueses começam a ficar sem comida e sem tetos para se recolheremFoto: Portugal 2013
Embora haja cada vez mais ricos  há cada vez mais pobres o que quer dizer que os remediados estão a desaparecer