Artes e Sabores da Maúnça

Realiza se este fim de semana na linda aldeia do Açor concelho de Fundão e Distrito de Castelo Branco,
mais um grande evento que vai certamente levar muita gente dos arredores e não só, a subir aquela parte  da Serra da Gardunha  para assistir  a um dos mais saborosos eventos que se realizam em Portugal.
Ainda recordo o ano de 2009 quando subi até  á aldeia, ainda na companhia da minha mãe, que tinha muitas amigas lá na aldeia e gostava de se deslocar varias vezes  no ano a fazer lhes uma visita




nesta imagem onde estivemos com os amigos era a tasquinha na loja do nosso amigo Manuel João que com a ajuda de outros amigos quis tambem proporcionar aos visitantes  alguns dos petiscos saborosos
que aqui tão bem são confecionados
É tambem nesta altura que se celebra a chegada da castanha , que por estas bandas é de grande qualidade
Hoje a quantidade é inferior que há uns anos atrás muito especialmente derivado aos incendios que assolaram a Gardunha

Escrever sobre este evento e sobretudo desta aldeia situada no alto da serra não se pode esquecer que o que se apresenta nesta festa  é a tipica gastronomia do povo de onde se podem destacar
Os maranhos, , o coelho em azeite, a chanfana e o típico feijão com couve 


 É ao calor das lareiras que as pessoas se reúnem para comer as castanhas, provar doces, licores, aguardente de medronho ou o pão acabado de fazer no forno comunitário. Para ver, sentir e saborear!
nas imagens que se seguem podemos ver o meu amigo José João  a ajudar a esposa  na confeção das deliciosas filhóses do Açor, para além de variados doces   e bebidas caseiras

E depois destas belas imagens carregadas de produtos que nos fazem crescer agua na boca, algumas delas copiadas da bela pagina no facebook dedicada  a este evento,https://www.facebook.com/maunca
podemos ficar com a certeza que se formos ao Açor nesta altura para assistir  a  este evento extraordinario ou mesmo durante todo o ano, vamos poder deliciar nos com estes pitéus que as gentes do Açor tão bem sabem confecionar.
O Açor é uma aldeia que eu conheço bem  e tenho por isso algum conhecimento dos seus costumes, modos de vida das suas gentes que me dão a o prazer de escrever tudo isto

Serões de Inverno na Aldeia


Estas histórias serão eventualmente do conhecimento de muita gente
da minha geração, naquelas noites frias de inverno no aconchego das
brasas a crepitar no larado da cozinha, mas a juventude hoje passa
os serões nas discotecas e outros locais de diversão com calor diferente
menos saudável e saturado.
Eram os nossos avós  ou as pessoas mais velhas da aldeia que nos contavam 
histórias antigas, que nós crianças na época adoravamos ouvir

Hoje Os avós já não teem lareiras nem os netos fazem serões com eles
Os idosos hoje são normalmente enviados para um lar da 3ª idade, ou em muitos casos 
vivem sózinhos nas suas casas com ou sem aquecimento no inverno
No meu tempo de criança os filhos e os netos acompanhavam os avós durante a vida inteira
Não havia eletricidade e a gente passava os serões á luz de uma lamparina de azeite 
ou a petróleo, e enquanto ouviamos histórias antigas as mulheres com as suas rocas
e fusos fiavam a lã ou o linho que se produzia em pequenas parcelas de terreno, e era tratado
desde a sementeira até á fiação pelas mãos das mulheres da  aldeia

Recordo com muita saudade alguns desses  serões passados com os meus avós maternos,
 que embora tivessem uma cozinha de reduzidas dimensões, era suficiente para nos sentarmos
todos ao redor da fogueira, onde por cima havi aquelas compridas varas onde as chouriças,
 morcelas, farinheiras etc, se encontravam a secar ao calor.
Naquelas longas noites de Inverno, depois da ceia, muitas vezes ao som da chuva
 e o vento a fustigarem impiedosamente  a aldeia,

 ali estávamos todos reunidos ao redor da fogueira,
 onde ardiam grandes toros de ervideiro, oliveira, pinheiro etc que se conseguiam 
arranjar nos campos,com a ajuda do machado ou da picareta
Havia ainda o momento de se rezar pelos familiares e amigos
já falecidos.
no final do serão os mais velhos ainda contavam algumas histórias  sobre coisas vulgares,
 mas havia outras com mais fantasia,
 que até metiam bruxas e espíritos, vagueando por casas e caminhos assombrados

Foi assim que aprendi a viver

Estávamos na década 1950/60; neste País á beira mar plantado, o mais ocidental do continente Europeu, que  em  relação a esta mesma Europa, vivia com um atraso de 30, 40 ou 50 anos.
Cada casa de familia vivia  do que se tinha e muitos com a ajuda dos amigos

Nas poucas cidades cá da zona, ia-se vendo qualquer coisa de novo, como novos edifícios, arruamentos com novas urbanizações, alguns milagres da técnica que vinham de fora, tais como automóveis, rádios transistores e por último a televisão, etc.

lembro me da primeira camioneta que existiu em Bogas de Baixo e lembro me ainda como se fora hoje, da primeira carreira que veio a Bogas pertencente á então Empresa Martins Évora, e das tropelias que a gente fazia quando íamos esperar a sua chegada alguns Kms distantes do povo para virmos encavalitados na retaguarda numa escada que servia para levar a bagagem para o tejadilho.

 Mas tanto por aqui na Beira como no norte Transmontano ou no Alentejo, vivia-se quase como nos tempos medievais.  A própria aparência destes povoados assim o demonstrava.

 Não havia luz elétrica, vivia-se na escuridão, apenas quebrada pelos raios do luar ou de luz do  virginal azeite.a arder nas lamparinas

Já havia rádios a pilhas(muito raros) mas o som das emissoras, chegava atrofiado, as numerosas povoações rurais do interior não a tinham emissores regionais.

  Vivia-se do que a terra dava  e nada mais.  Cultivava-se a  terra para se sobreviver.

Aqui nas Beiras  assim como todo o Norte, salvo algumas pequenas  excepções nunca  existiu a generalização da grande propriedade assim quase todas as pessoas possuíam  um pouco de terra, á maior parte por herança dos seus antepassados.  Terra que não dava para nada, mas que chegava  para  se entreterem plantando umas couves, semeando umas batatas, feijão, milho, etc.

Houve uma mudança radical nestes costumes primeiro derivado á forte emigração que registou nesta época e que principalmente em terras de França foram grajeando algumas economias que iam enviando para cá e com isso as aldeias começaram a evoluir um pouco mais com a reparação das suas casas ou mesmo na construção de novas
Depois deu se o 25 de Abril e então sim aí o povo passou a ter liberdade emuito mais regalias.
os salários subiram, criaram se horáruios de trabalho em vez do anterior de (sol a sol) o mesmo que dizer inciava se o trabalho ainda não tinha rompido a aurora e terminava já noite com a luz da lua.
Mas infelizmente o 25 de Abril foi sol de pouca dura e hoje muitos portugueses começam a ficar sem comida e sem tetos para se recolheremFoto: Portugal 2013
Embora haja cada vez mais ricos  há cada vez mais pobres o que quer dizer que os remediados estão a desaparecer

Era uma vez uma velha

Lembrei me hoje de um conto muito antigo e que já a minha avó contava

Era uma vez uma vez uma  velha, muito velha! Essa velha tinha uma filha  casada com um lavrador (quinteiro) muito rico mas vivia muito longe. Um dia a filha teve um menino e mandou-a chamar para ir ao Baptizado. A velha ficou triste. Estava muito velha, a viagem era muito longa, e tinha de atravessar o mato... Mas queria ver o netinho e então resolveu ir ao Baptizado.  Arranjou as coisas e lá foi ela.

Quando ia a meio do caminho encontrou um grande lobo que a queria comer. A Velha tentou fugir-lhe da melhor maneira que conseguia, e quando ele se preparava para a comer a Velha disse-lhe assim:
- Ai, Senhor Lobo! Não me coma! Por favor!
- Vou-te comer! - Respondeu o Lobo com voz cavernosa!
- Por favor! não me coma agora. Estou a caminho do Baptizado do meu netinho... se não me comer agora quando regressar, venho de barriga cheia e mais gordinha...
O Lobo achou que era uma boa proposta! Deixou a Velha continuar a sua viagem e ficou à sua espera no caminho, para depois a comer, já com mais carninha!

A Velha lá foi ao Baptizado. Viu o netinho e ficou feliz por isso, mas mesmo assim estava muito triste. Quando chegou a hora de voltar para casa, despediu-se da filha entre lágrimas:
- Adeus, minha filha! Que sejas sempre feliz! Pois eu vou-me embora e nunca mais me tornarás a ver....
Sem perceber o que se passava a filha perguntou:
- Então, mãe? Porquê?
E a Velha contou-lhe a sua triste sorte e o que tinha acontecido pelo caminho...
Mas a Filha teve uma ideia. Ao pé delas estava uma carroça cheia de grandes cabaças. A filha pegou numa, entregou-a à mãe e disse-lhe:
- Quando chegar à parte do caminho onde vive o Lobo, a mãe mete-se dentro da cabaça, e fá-la rolar pelo chão...

E a Velha assim fez... Quando o Lobo viu uma cabaça a rolar obrigou-a a parar e perguntou com a sua voz furiosa:
- Ouve lá, ó Cabaça! Tu não viste por aí nenhuma Velha?
E a Velha de dentro da cabaça, com voz de trovão respondia enquanto rolava o mais depressa que conseguia:
- Não vi Velha nem Velhinha,
  Não vi Velha nem Velhão!
  Roda, roda Cabacinha,
  Roda, roda Cabação!

E assim a velha chegou sã e salva ao seu destino!

Na aldeia sempre ouvi estes provébios

Já nos meus tempos de criança ouvia da boca dos mais velhos lá na aldeia, estes e muitos outros provébios que o povo todo conhecem


Ramos molhados, anos abençoados...

Era como dizer que quando chove na época da Páscoa, os cultivos que fazemos nas terras (batatas, cebolas, horta, vinho, feijões…), vão produzir muito bem, sendo um ano muito bom para as colheitas.


Pelo São Martinho prova o teu vinho
É o mesmo que dizer que em Novembro os pipos de vinho da colheita do ano estão prontos a ser abertos e convidam se os amigos para provar a pinga

Quem muito dorme pouco aprende...

Pois é,  se gastamos muito tempo a dormir, ficamos com pouco tempo para aprender.

Cão que ladra não morde...

Isto é simples, quer dizer que o cão enquanto abre a boca para ladrar, não pode usá-la para morder.



Lá na minha aldeia dizia se
Em Abril queima a velha o carro e o carril...  
A melhor cepa guarda-a para Maio..

Quer dizer que em Abril e Maio ainda pode vir muito frio e por isso, devemos guarda lenha para acender o lume.



Em Abril, águas mil...

Isto quer dizer que no mês de Abril chove muito.

Lenda de Nossa Senhora da Lapa


O Santuário de Nossa Senhora da Lapa situa-se na freguesia de Quintela, Sernancelhe em Portugal e é onde está a imagem original da Nossa Senhora da Lapa.
A primitiva capela foi construída em 1498. A actual igreja foi construída no século XVII pelos jesuítas, que muito promoveram as peregrinações.
O altar de Nossa Senhora da Lapa foi erguido no local onde, segundo a lenda, a pastora Joana encontrou a imagem escondida pelas religiosas.Ficheiro:Lapa 1.JPG
O Santuário guarda na capela-mor o rochedo (lapa) milagroso com a imagem da Senhora da Lapa.
São de salientar tesouros sem conta oferecidos, até por reis e rainhas, e a cenografia dos altares da Crucificação e da Morte de S. José.
Este santuário de Senhora da Lapa e a Catedral de Santiago de Compostela na Galiza, em tempos, chegaram a ser os dois santuários mais importantes da Península Ibérica.
É a 15 de Agosto de cada ano que se celebra a festa da Senhora da Lapa, atraindo milhares de peregrinos em cumprimento de promessas ou por simples devoção.
A LENDA



Diz a lenda que a imagem de Nossa Senhora da Lapa apareceu num penedo de difícil acesso, na Beira Alta.

Os devotos construíram-lhe um templo num local mais acessível, mas a imagem da Senhora fugia para o seu penedo sempre que a punham na nova capela. Este facto insólito ocorreu tantas vezes que os devotos fizeram a vontade à Virgem e construíram-lhe uma capela no penedo.

E a Senhora da Lapa lá está hoje, num sítio em que para a ver o crente tem de entrar de lado, por mais magro que seja. Curiosamente, o crente mais gordo de lado entra sempre.

Um dos milagres atribuídos a esta Senhora é o que ocorreu com um caminhante que, adormecendo junto à capela, entrou-lhe na boca entreaberta uma cobra. Aflito, o homem acordou e imediatamente invocou no seu pensamento a Senhora da Lapa.

Conta a lenda que a cobra imediatamente virou a cabeça para fora da boca, sendo depois apanhada e morta.



informações e fotos da net

Lenda de um pastor da Serra da Estrela


Esta é a história de um pastor pobre que vivia numa aldeia isolada nas encostas da serra e tinha por única companhia um cão.

Este pastor fitava o horizonte e o seu coração enchia-se de esperança de um dia viajar para além das montanhas que envolviam a sua aldeia. Uma noite de luar em que o pastor olhava o céu estrelado, desceu até ele uma estrela pequenina com um rosto de criança que lhe falou do seu desejo.

Estava ali por vontade de Deus, para guiar o pastor para onde este desejasse ir. A partir de então, a estrela nunca mais abandonou o pastor, sorrindo-lhe do céu noite após noite. Até que veio o dia em que o pastor tomou a decisão de partir e chamou a estrela.

Os velhos da aldeia abanaram as suas sábias cabeças a tamanha loucura. O pastor partiu e caminhou durante intermináveis anos. O seu cão não aguentou a dura jornada e ficou pelo caminho, marcado por um sinal de pedra.

O pastor chorou e continuou em busca do seu destino, envelhecendo junto com a estrela até que um dia chegaram ao seu destino, à serra mais alta, a que ficava mais perto do céu e ali ficaram juntos.

O rei da região mandou-lhe emissários com promessas de poder e fortuna em troca da estrela. O pastor respondeu-lhe que a estrela não era dele mas do céu e que nunca a abandonaria.

A lenda diz que ainda hoje da serra da Estrela é possível ver uma estrela que brilha mais do que as outras, de saudade e de amor por um pastor.



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(fotos de pesquisa google)