RETROSPECTIVA

Com 200.000 visualizações, 540 comentarios, e 102 seguidores, esta pagina ultrapassou todas as minhas espectativas Já que tem a finalidade de divulgar uma das aldeias entre as mais pequenas de Portugal. Bogas de Baixo é uma freguesia do concelho do Fundão, que muita gente espalhada pelo mundo, ficou a conhecer virtualmente pelo menos, com a contribuição deste blogue
Estou feliz por isso, e tambem porque assim escrevendo e publicando imagens do meu sitio me sinto mais perto dessa linda aldeia que me viu nascer.
Continuarei a ser pressistente na divulgação das minhas raizes, o que implica mencionar e divulgar tambem as aldeias ao redor que fazem parte duma zona lindissima como o Cabeço de Sobreira, a serra da maunça e todo o resto que faz parte da Gardunha
Infelizmente esta piscina Fluvial está praticamente desactivada mas nasceu a ideia de uma piscina publica que o saudoso António Roque construiu para diversão dos boguenses que nos meses do Verão se multiplicam em visita á terra natal.
Além dessa obra muitas outras foram iniciadas ou concluidas durante o seu mandato de Presidente da Junta de Freguesia Outras recordações postadas neste blogue QUE PODEM SER CONSULTADAS AQUI
E assim continuarei a recordar algumas das histórias da minha juventude e tentar acompanhar a evolução das aldeias que se situam aqui no sopé da serra da Gardunha

Nas margens do Zêzere (Janeiro de Cima)

Hoje vou fazer uma pequena viagem pelas margens do Rio Zêzere aqui na zona do pinhal Concelho do Fundão (sul) e Pampilhosa da Serra (norte) Com fotos da (Odete Martins) inicio a viajem no Canal um pequeno lugarejo que foi habitado por uma ou duas familias, que se espalharam pela região onde constituiram familias A quinta do Canal fica sobre o rio Zêzere com paisagens magnificas, lugar a merecer uma visita
Esta imagem é suficientemente esclarecedora daquilo que atraz escrevo sobre o Canal Descendo pela margem esquerda do rio que pertence ao concelho do Fundão, avistamos pouco depois Porto de VACAS uma simpatica aldeia na margem direita do rio ladeada de campos e pinheiros pertencente ao concelho da Pampilhosa da Serra
Continuando a descida á beira do Zezere deparamo nos com a bonita e airosa aldeia do Esteiro tambem pertencente ao concelho da Pampilhosa e onde existe a central hidroelétrica da barragem de Santa Luzia e a imagem que se segue dá nos uma visão magnifica do Rio passando ao lado do Esteiro
Administrativamente, a aldeia de Esteiro pertenceu ao antigo concelho de Fajão, extinto em 24 de Outubro de 1855, ano em que foi integrado no de Pampilhosa da Serra. Hoje faz parte da freguesia de Janeiro de Baixo, o Esteiro foi no passado um pequeno lugarejo que evoluiu e aumentou de população com a construção da hidroelétrica
continuando sempre para sul eis nos chegados a Janeiro de Cima, aldeia sobejamente conhecida pelas suas tradições, para além da boa comida, a sua praia fluvial, casas antigas devidamenre recuperadas do Xisto, as suas gentes e as s8uas paisagens
As mulheres de Janeiro de Cima tratando do linho que foi criado nas margens do rio
Imagens das barcas que ainda hoje fazem a travessia do Zezere em Janeiro de Cima, a sua praia fluvial, os seus campos á beira rio sempre bem cultivados e uma antiga casa bem recuperada Para cvonhecer ainda melhor Janeiro de Cima clique sobre o link que aqui vos deixo Imagens de Janeiro Estou mesmo a chegar á minha freguesia Bogas de Baixo, Urgeiro com vistas lindissimas sobre o rio e sobre Janeiro de Baixo é uma pequena anexa de Bogas de Baixo onde a sua ribeira desagua no Zezere
Ribeira de Bogas quase quase a chegar ao seu local de acasalamento com o rio Zezere
A quinta do Lenteiro de um lado da ribeira de Bogas com a quinta do Fojo á vista na margem contrária, quinta essa que me traz belas recordações e que hoje se encontra em ruinas provocadas pelo incendio que assolou estes lugares num passado recente
E hoje fico me por aqui, até ao proximo passeio

Bacalhau e cabrito promovidos em festivais na Beira Baixa

Os próximos dias até à Páscoa vão ficar marcado na região da Beira Baixa com diversos festivais gastronómicos, que promoverão desde produtos silvestres simples a pratos mais elaborados com bacalhau ou cabrito.
As iniciativas arrancam neste fim de semana, em Vila de Rei, com o município a organizar até 01 de abril o Festival do Bacalhau e do Azeite, que vai decorrer em seis restaurantes do concelho. Será a quinta edição da iniciativa, com pratos como Bacalhau à Vila de Rei ou Bacalhau à Cobra, servidos na vila e nas aldeias de Relva e Zaboeira. Para além dos pratos principais de tradição local, os restaurantes participantes prometem servir entradas e sobremesas em que o azeite fará a diferença. No último fim de semana do mês (31 de maço e 01 de abril), o festival dos Espargos, Criadilhas e Tortulhos vai animar Alcafozes, em Idanha-a-Nova. Aqueles produtos silvestres e espécies de cogumelos são o pretexto para um certame que acaba por incluir todos os produtos locais, com diversos produtores presentes em bancas e tasquinhas da aldeia. O programa inclui sessões para levar as crianças a descobrir os produtos silvestres e outras para os adultos aprenderem a cozinhar pratos tradicionais, como "Espargos com ovos à Senhora do Almortão". Haverá ainda sessões de cozinha ao vivo em parceria com a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril e a Escola Superior de Gestão de Idanha-a-Nova. O recinto será animado em permanência por grupos de música popular e encerrará com a entrega de diversos prémios aos expositores participantes.
Em Oleiros, por entre diversas manifestações religiosas, oito restaurantes participarão no IV Festival Gastronómico do Cabrito Estonado e do Maranho, nos dois fins de semana que antecedem a Páscoa (31 de março e 01, 07 e 08 de abril). O Cabrito Estonado de Oleiros é uma dos pratos do concelho promovidos pelo município com fins turísticos, dado que segue tradições locais "muito específicas" para a confeção. Os maranhos são uma especialidade típica do Pinhal Interior e caracterizam-se por serem "um enchido fresco, recheado com carne de caprinos e alguns produtos do fumeiro, arroz e uma quantidade apreciável de ervas aromáticas, sobretudo hortelã". Tradicionalmente, qualquer um dos dois pratos era confecionado em dias de festa e agora servem de "embaixadores dos produtos endógenos" de Oleiros. @Lusa

Houve convivio em Bogas de Baixo

José é um personagem célebre do Novo Testamento bíblico, marido da mãe de Jesus Cristo. Segundo a tradição cristã, nasceu em Belém da Judeia, no século I a.C., era pertencente à tribo de Judá e descendente do rei Davi de Israel. No catolicismo, ele é considerado um santo e chamado de São José. O dia de S josé é comemorado no dia 19 de Março de cada ano. Muitos dos que nasceram neste dia os padrinhos ou os pais optaram por lhe chamar José em louvor ao Santo Bogas de Baixo tambem foi uma terra que levou á risca esta tradição Pois basta ver mos através das imagens que o José Dias Nunes captou que em tempos mais distantes foram batizados em Bogas muitos josés Os Josés de Bogas de Baixo juntaram se com os seus omónimos do resto da freguesia e levaram a cabo uma festa convvio Com missa celebrada pelo paroco da aldeia Padre Gilberto. E um belissimo repasto num restaurante do Orvalho
Nesta foto consigo reconhecer o José Frade, o José Silvestre e o meu parente José André da Ladeira
O José Manuel Nunes autor das fotos
O José Simão e esposa
Aqui podemos ver tambem o José Dias Novo e esposa
Nesta foto posso reconhecer o José Patrocinio para alem de outros Josés dos quais não me recordo do nome, mas é preciso que se diga que todos estes Josés são do tempo da minha juventude uns mais velhos e outros mais novos
Aqui vemos o Padre Giberto em primeiro plano acompanhado do casal José Simão
Um aspecto geral do restaurante com os Josés reunidos no seu almoço de confraternização Mais um pouco de história sobre S José O culto a São José começou provavelmente no Egito, passando mais tarde para o Ocidente, onde hoje alcança grande popularidade. Em 1870, o papa Pio IX o proclamou “O Patrono da Igreja Universal” e, a partir de então, passou a ser cultuado no dia 19 de março. E já agora quero endereçar a todos os Josés de Bogas de Baixo os meus parabéns fazendo votos que para o ano continuem a reunir se todos e se possivel mais alguns

Tradições que vão desaparecendo

Mulheres de Bucos - "Dobadoira" from MPAGDP on Vimeo.

Gravado em Bucos, Cabeçeiras de Basto a 20 de Janeiro de 2012 Realização: Tiago Pereira Som: Rosa Pomar Canon 5d RODE NT5 stereo Trabalhos da lã: esguedelhar, cardar, fiar, ameadar, dobar e fazer meia. Isto passa se em Bucos - Cabeceiras de Basto mas tambem se fazia na minha aldeia Bogas de Baixo e em quase todas as aldeias em redor, destacando se Janeiro de Cima e Bogas do Meio

Lendas e Mitos do Povo

Aparição da Nossa Senhora da Serra APL 2478
O facto da aparição da Nossa Senhora da Serra é muito antigo. Conta a tradição que, numa tarde, uma mulher, que diziam ser de Alcongosta, com uma filha pequenita, foi à serra da Gardunha apanhar chamiços para o lume, ao mesmo tempo que levou duas cabras para pastarem. De repente, começou a aparecer um nevoeiro, puxado pelo vento, serra acima. A menina começou a brincar com uma pedritas e afastou-se da mãe, para detrás de uma giestas. A mãe, não vendo a filha, começou a clamar por ela, com gritos de aflição. O nevoeiro cresceu e fez-se um pouco escuro.
A mãe, sempre gritando pela filha, andou pela serra, no local, à sua procura, rezando sempre a Nossa Senhora. Muito pesarosa, voltou a triste mãe para o seu povo. Logo contou o sucedido aos vizinhos e com eles voltou à serra procurar a filha perdida, mas sem qualquer resultado. Procuraram por todos os cantos da serra e só encontraram a menina três ou quatro dias depois, dentro de uma lapa, com a Nossa Senhora. Todos ficaram espantados por terem achado a menina viva, que já julgavam morta, até porque por lá havia muitos lobos. E também, porque, na lapa formada por grandes rochedos, viram uma linda imagem de Nossa Senhora, que iluminava toda o lugar.
(imgem sapo.blogs) A menina disse que não tinha fome, porque aquela Senhora lhe tinha dado comida em todo o tempo que lá esteve. Logo a lapa foi transformada em capela e o milagre e a fama da Senhora da Serra, assim foi invocada, espalhou-se por muitos e longínquos lugares. As gentes de Castelo Novo, Alpedrinha, Casal da Serra e Souto da Casa mandaram fazer uma imagem de Nossa Senhora, que colocaram na lapa, e passaram a fazer uma festa anual, em louvor da Senhora, e para comemoração do milagre que ela ali fez . Fonte MATOS, Albano Mendes de Literatura Popular Tradicional na Gardunha s/l, Edição do Autor, 2004 , p.43-44 Ano1947 LocalSão Vicente Da Beira, CASTELO BRANCO, CASTELO BRANCO InformanteJosé Mendes (M),

Se bem me lembro era assim em Bogas

Lembro me da minha mãe fazer há muitos anos umas migas esturricadas, se calhar não seriam tão bem confeccionadas como aquelas que vos mostro nesta postagem,mas toda a comida que ela fazia era uma delicia
Miga esturricada Composição 750 gr de pão de trigo caseiro 1 molho(s) de salsa 3 dente(s) de alho 1 colher (sopa) de colorau 100 gr de presunto 150 gr de chouriço de carne 2 dl de azeite 4 ovos sal xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Leva-se ao lume um recipiente com água, um ramo de salsa, o alho, o colorau e o sal. Deixa-se ferver. Corta-se o presunto e o pão às fatias finas e o chouriço às rodelas. Colocam-se num prato fundo camadas de fatias de pão alternadas com fatias de presunto e rodelas de chouriço. Rega-se tudo com a água temperada a ferver. Deixa-se demolhar. Meia hora antes de servir, passa-se a massa por azeite, ajeitando-a com uma colher de pau, deixa-se alourar bem. Vira-se com a ajuda de um prato e deixa-se alourar do outro lado. Serve-se pondo por cima os ovos estrelados em azeite e enfeita-se com salsa. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Depois deliciava me também com uma sopa de favas que era um espectáculo
Sopa de Favas Ingredientes: * 2 litros de água * 30 gr de arroz * 1 cebola média * 1 cenoura * 1 couve-flor pequena * 0,5 Kg de favas descascadas * 1 colher de sopa de manteiga * 1 gema * 75 gr de presunto gordo * Sal q.b. Não levava todos estes ingredienmtes a vida não opremitia mas era boa na mesma com as favinhas criadas lá na horta e nesse tempo especialmente na nossa terra toda a hortaliça era biológica. Os adubos começaram a ser utilizados muito maios tarde e sempre em pequenas quantidades Hoje vi na cronologia da Alda Neves Dias Gonçalves uma foto que me chamou a atenção e que de repente lhe roubei e vos mostro aqui.
A estas deliciosas bolachas a gente no meu tempo chamava mos talaças que a minha mãe muitas vezes fazia com uma forma feita em ferro pelomeu padrinho e tio Zé Ferreiro Os ingredientes não sei mas a Alda que de vez enquando vem ver o que se passa por aqui, pode deixar a receita e dizer nos a forma como confeccionou estas

Delicie se com as belas paisagens da nossa aldeia

Visão parcial de Bogas de Baixo
Ruas limpas e bem cuidadas com moradias com estilo
Bairro da Portela onde se situam a capela de Nossa Senhora das Dores e o Monumento de Jesus Adolescente Terreiro onde se realizam anualmente as festas de verão da nossa terra
Imagem captada a partir do Parque de Merendas do Mosqueiro, local de interesse de onde se pode avistar uma grande extenção do Centro de Portugal
A nossa vizinha aldeia de ORVALHO no sopé do Penedo Mosqueiro, Parque de Merendas e Miradouro que reparte com Bogas a sua posse
Este moinho muito antigo, foi mandado restaurar pelo falecido Presidente António Roque, é um local com visita obrigatória e podemos até ve lo funcionar como era há 60 ou 70 anos
E por ultimo o belissimo rio Zêzere percorrendo a nossa região quase a chegar á Foz de Bogas

Histórias e lendas que o povo conta

A Serra da ARGEMELA
É a história do monte da Argemela (que é situada no concelho do Fundão, à beira do rio Zêzere, portanto, na parte direita do rio Zêzere) monte esse, em que, no tempo que foi ocupada pelos mouros, dizia-se que, os mouros trabalhavam muito em ouro, aonde realmente havia vestígios de muitas levadas, isto é, canalizações por onde passavam as águas, levadas feitas por pedra, e então os mouros trabalharam tanto, e eles queriam fazer uma igreja construída em ouro, de maneiras que começaram a construir a igreja ao nível do rio mas, portanto, cabeço esse, chamado cabeço, que é um monte que terá a beira dos seus 800, 900 metros de altitude, ou mais, mais ou menos, e eles começaram a construir a igreja ao nível do rio, mas igreja foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo e eles sempre foram para a construir essa dita igreja, essa igreja era toda em ouro, porque eles quiseram arrecadar o ouro todo quando se viram em perigo, com medo de serem expulsos daquele sitio, construíam a igreja, para deixar ali o tesouro que durante anos eles tinham amealhado, durante aqueles anos que eles ali trabalharam. Essa dita igreja foi feita até mesmo, em todo o tamanho e altitude do monte, mas quando foi a terminá-la, quando chegou mesmo ao cume, ao cimo do monte, ficou mesmo… Quando realmente eles estavam a construir a torre verificaram que já não tinha mais monte para ficar a igreja toda tapada de terra e depois aquilo tomou vegetação, deixaram o galo, normalmente, (por norma) era habito pôr um galo no cumulo [sic cume], lá no cimo da torre, então esse galo já ficou fora, em cima desse galo, nasceu uma carqueijera que ainda hoje procuram a dita igreja que não conseguem encontrar. E dizem que o galo, está mesmo por baixo da carqueijera, que nasceu-lhe a carqueijera em cima, as pessoas procuram, procuram mas não encontram. Fonte AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a, Ano2007 Local--Silvares, FUNDÃO

A Festa da Páscoa

A Festa da Páscoa é mais antiga que a Cristandade. Simbolizava o retorno à Primavera, após o tempo de privação e desolação, do Inverno. Celebrava-se a Páscoa, fazendo ofertas às Deusas da Natureza. Com a Cristandade, esta Festa foi adaptada, para celebrar a ressurreição de Cristo. A Páscoa, antes da Cristandade, significava a festa de comemoração da vinda do bom tempo, após os temporais, o frio e aridez invernais. Celebrava-se com oferta do melhor cordeiro do rebanho, às Deusas lunares (Deusas Telúricas) e às Deusas da fertilidade (Deusas das águas). Simbolizava o retorno à fertilidade das terras, à luz, à vida.
Mas a Páscoa não é só isso A Páscoa é tambem uma festa onde predominam os bolos especialmente os bolos de azeite, os bolos de soda, os bicoitos e as cavacas etc etc Em Bogas de Baixo minha terra natal era tradição cozerem se grandes fornadas de Bolos de Azeite. Havia v´~arios fornos particulares e todos trabalhavam com grande azáfama na Semana Santa proximo do Domingo de Ramos e do Domingo de páscoa Lembro me ainda dos bolos que a minhga avó fazia e mais tarde a minha mãe tambem lhe tomou o jeito, e era uma delicia comer aqueles bolos de Páscoa confeccionados por elas. Ainda hoje embora sejam rarissimas as pessoas, a cozerem estes afamados bolos, ainda se fazem alguns. A Páscoa é tambem o simbolo das amendoas
Era a delicia da pequenada do meu tempo, acompanhar a visita pascal, feita e comandada pelo amigo padre Branco, e enquanto as pessoas entravam nas casas para receberem Cristo, os don os da casa vinham á janela e mandavam mãos cheias de amendoas que se espallavam entre nós, depois era uma correria para se conseguir apanhar o maior numero possivel. Sei que o Padre Gilberto está ocupadissimo por ter ao seu encargo os trabalhos pastorais de varias freguesias, no entanto espero que ainda arranje um pouquinho de tempo para reviver a tradição de fazer a visita pascal na minha terra, Bogas de Baixo

Lendas e Mitos do povo

LENDA DO FOLAR DA PÁSCOA
A lenda do folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem. Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre. Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina. Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.