Se bem me lembro era assim em Bogas

Lembro me da minha mãe fazer há muitos anos umas migas esturricadas, se calhar não seriam tão bem confeccionadas como aquelas que vos mostro nesta postagem,mas toda a comida que ela fazia era uma delicia
Miga esturricada Composição 750 gr de pão de trigo caseiro 1 molho(s) de salsa 3 dente(s) de alho 1 colher (sopa) de colorau 100 gr de presunto 150 gr de chouriço de carne 2 dl de azeite 4 ovos sal xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Leva-se ao lume um recipiente com água, um ramo de salsa, o alho, o colorau e o sal. Deixa-se ferver. Corta-se o presunto e o pão às fatias finas e o chouriço às rodelas. Colocam-se num prato fundo camadas de fatias de pão alternadas com fatias de presunto e rodelas de chouriço. Rega-se tudo com a água temperada a ferver. Deixa-se demolhar. Meia hora antes de servir, passa-se a massa por azeite, ajeitando-a com uma colher de pau, deixa-se alourar bem. Vira-se com a ajuda de um prato e deixa-se alourar do outro lado. Serve-se pondo por cima os ovos estrelados em azeite e enfeita-se com salsa. xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx Depois deliciava me também com uma sopa de favas que era um espectáculo
Sopa de Favas Ingredientes: * 2 litros de água * 30 gr de arroz * 1 cebola média * 1 cenoura * 1 couve-flor pequena * 0,5 Kg de favas descascadas * 1 colher de sopa de manteiga * 1 gema * 75 gr de presunto gordo * Sal q.b. Não levava todos estes ingredienmtes a vida não opremitia mas era boa na mesma com as favinhas criadas lá na horta e nesse tempo especialmente na nossa terra toda a hortaliça era biológica. Os adubos começaram a ser utilizados muito maios tarde e sempre em pequenas quantidades Hoje vi na cronologia da Alda Neves Dias Gonçalves uma foto que me chamou a atenção e que de repente lhe roubei e vos mostro aqui.
A estas deliciosas bolachas a gente no meu tempo chamava mos talaças que a minha mãe muitas vezes fazia com uma forma feita em ferro pelomeu padrinho e tio Zé Ferreiro Os ingredientes não sei mas a Alda que de vez enquando vem ver o que se passa por aqui, pode deixar a receita e dizer nos a forma como confeccionou estas

Delicie se com as belas paisagens da nossa aldeia

Visão parcial de Bogas de Baixo
Ruas limpas e bem cuidadas com moradias com estilo
Bairro da Portela onde se situam a capela de Nossa Senhora das Dores e o Monumento de Jesus Adolescente Terreiro onde se realizam anualmente as festas de verão da nossa terra
Imagem captada a partir do Parque de Merendas do Mosqueiro, local de interesse de onde se pode avistar uma grande extenção do Centro de Portugal
A nossa vizinha aldeia de ORVALHO no sopé do Penedo Mosqueiro, Parque de Merendas e Miradouro que reparte com Bogas a sua posse
Este moinho muito antigo, foi mandado restaurar pelo falecido Presidente António Roque, é um local com visita obrigatória e podemos até ve lo funcionar como era há 60 ou 70 anos
E por ultimo o belissimo rio Zêzere percorrendo a nossa região quase a chegar á Foz de Bogas

Histórias e lendas que o povo conta

A Serra da ARGEMELA
É a história do monte da Argemela (que é situada no concelho do Fundão, à beira do rio Zêzere, portanto, na parte direita do rio Zêzere) monte esse, em que, no tempo que foi ocupada pelos mouros, dizia-se que, os mouros trabalhavam muito em ouro, aonde realmente havia vestígios de muitas levadas, isto é, canalizações por onde passavam as águas, levadas feitas por pedra, e então os mouros trabalharam tanto, e eles queriam fazer uma igreja construída em ouro, de maneiras que começaram a construir a igreja ao nível do rio mas, portanto, cabeço esse, chamado cabeço, que é um monte que terá a beira dos seus 800, 900 metros de altitude, ou mais, mais ou menos, e eles começaram a construir a igreja ao nível do rio, mas igreja foi crescendo, foi crescendo, foi crescendo e eles sempre foram para a construir essa dita igreja, essa igreja era toda em ouro, porque eles quiseram arrecadar o ouro todo quando se viram em perigo, com medo de serem expulsos daquele sitio, construíam a igreja, para deixar ali o tesouro que durante anos eles tinham amealhado, durante aqueles anos que eles ali trabalharam. Essa dita igreja foi feita até mesmo, em todo o tamanho e altitude do monte, mas quando foi a terminá-la, quando chegou mesmo ao cume, ao cimo do monte, ficou mesmo… Quando realmente eles estavam a construir a torre verificaram que já não tinha mais monte para ficar a igreja toda tapada de terra e depois aquilo tomou vegetação, deixaram o galo, normalmente, (por norma) era habito pôr um galo no cumulo [sic cume], lá no cimo da torre, então esse galo já ficou fora, em cima desse galo, nasceu uma carqueijera que ainda hoje procuram a dita igreja que não conseguem encontrar. E dizem que o galo, está mesmo por baixo da carqueijera, que nasceu-lhe a carqueijera em cima, as pessoas procuram, procuram mas não encontram. Fonte AA. VV., - Arquivo do CEAO (Recolhas Inéditas) Faro, n/a, Ano2007 Local--Silvares, FUNDÃO

A Festa da Páscoa

A Festa da Páscoa é mais antiga que a Cristandade. Simbolizava o retorno à Primavera, após o tempo de privação e desolação, do Inverno. Celebrava-se a Páscoa, fazendo ofertas às Deusas da Natureza. Com a Cristandade, esta Festa foi adaptada, para celebrar a ressurreição de Cristo. A Páscoa, antes da Cristandade, significava a festa de comemoração da vinda do bom tempo, após os temporais, o frio e aridez invernais. Celebrava-se com oferta do melhor cordeiro do rebanho, às Deusas lunares (Deusas Telúricas) e às Deusas da fertilidade (Deusas das águas). Simbolizava o retorno à fertilidade das terras, à luz, à vida.
Mas a Páscoa não é só isso A Páscoa é tambem uma festa onde predominam os bolos especialmente os bolos de azeite, os bolos de soda, os bicoitos e as cavacas etc etc Em Bogas de Baixo minha terra natal era tradição cozerem se grandes fornadas de Bolos de Azeite. Havia v´~arios fornos particulares e todos trabalhavam com grande azáfama na Semana Santa proximo do Domingo de Ramos e do Domingo de páscoa Lembro me ainda dos bolos que a minhga avó fazia e mais tarde a minha mãe tambem lhe tomou o jeito, e era uma delicia comer aqueles bolos de Páscoa confeccionados por elas. Ainda hoje embora sejam rarissimas as pessoas, a cozerem estes afamados bolos, ainda se fazem alguns. A Páscoa é tambem o simbolo das amendoas
Era a delicia da pequenada do meu tempo, acompanhar a visita pascal, feita e comandada pelo amigo padre Branco, e enquanto as pessoas entravam nas casas para receberem Cristo, os don os da casa vinham á janela e mandavam mãos cheias de amendoas que se espallavam entre nós, depois era uma correria para se conseguir apanhar o maior numero possivel. Sei que o Padre Gilberto está ocupadissimo por ter ao seu encargo os trabalhos pastorais de varias freguesias, no entanto espero que ainda arranje um pouquinho de tempo para reviver a tradição de fazer a visita pascal na minha terra, Bogas de Baixo

Lendas e Mitos do povo

LENDA DO FOLAR DA PÁSCOA
A lenda do folar da Páscoa é tão antiga que se desconhece a sua data de origem. Reza a lenda que, numa aldeia portuguesa, vivia uma jovem chamada Mariana que tinha como único desejo na vida o de casar cedo. Tanto rezou a Santa Catarina que a sua vontade se realizou e logo lhe surgiram dois pretendentes: um fidalgo rico e um lavrador pobre, ambos jovens e belos. A jovem voltou a pedir ajuda a Santa Catarina para fazer a escolha certa. Enquanto estava concentrada na sua oração, bateu à porta Amaro, o lavrador pobre, a pedir-lhe uma resposta e marcando-lhe como data limite o Domingo de Ramos. Passado pouco tempo, naquele mesmo dia, apareceu o fidalgo a pedir-lhe também uma decisão. Mariana não sabia o que fazer. Chegado o Domingo de Ramos, uma vizinha foi muito aflita avisar Mariana que o fidalgo e o lavrador se tinham encontrado a caminho da sua casa e que, naquele momento, travavam uma luta de morte. Mariana correu até ao lugar onde os dois se defrontavam e foi então que, depois de pedir ajuda a Santa Catarina, Mariana soltou o nome de Amaro, o lavrador pobre. Na véspera do Domingo de Páscoa, Mariana andava atormentada, porque lhe tinham dito que o fidalgo apareceria no dia do casamento para matar Amaro. Mariana rezou a Santa Catarina e a imagem da Santa, ao que parece, sorriu-lhe. No dia seguinte, Mariana foi pôr flores no altar da Santa e, quando chegou a casa, verificou que, em cima da mesa, estava um grande bolo com ovos inteiros, rodeado de flores, as mesmas que Mariana tinha posto no altar. Correu para casa de Amaro, mas encontrou-o no caminho e este contou-lhe que também tinha recebido um bolo semelhante. Pensando ter sido ideia do fidalgo, dirigiram-se a sua casa para lhe agradecer, mas este também tinha recebido o mesmo tipo de bolo. Mariana ficou convencida de que tudo tinha sido obra de Santa Catarina. Inicialmente chamado de folore, o bolo veio, com o tempo, a ficar conhecido como folar e tornou-se numa tradição que celebra a amizade e a reconciliação. Durante as festividades cristãs da Páscoa, o afilhado costumam levar, no Domingo de Ramos, um ramo de violetas à madrinha de batismo e esta, no Domingo de Páscoa, oferece-lhe em retribuição um folar.

Dia Internacional da mulher

Segundo consegui apurar pela pesquisa que fiz na net,a ideia da existência de um dia internacional da mulher surge na virada do século XX, no contexto da Segunda Revolução Industrial e da Primeira Guerra Mundial, quando ocorre a incorporação da mão-de-obra feminina, em massa, na indústria.
As condições de trabalho, frequentemente insalubres e perigosas, eram motivo de frequentes protestos por parte dos trabalhadores. Muitas manifestações ocorreram nos anos seguintes, em várias partes do mundo, destacando-se Nova Iorque, Berlim, Viena (1911) e São Petersburgo (1913). O primeiro Dia Internacional da Mulher foi celebrado em 28 de fevereiro de 1909 nos Estados Unidos, por iniciativa do Partido Socialista da América[2], em memória do protesto contra as más condições de trabalho das operárias da indústria do vestuário de Nova York[carece de fontes]. Em 1910, ocorreu a primeira conferência internacional de mulheres, em Copenhaga, dirigida pela Internacional Socialista, quando foi aprovada proposta da socialista alemã Clara Zetkin, de instituição de um dia internacional da Mulher, embora nenhuma data tivesse sido especificada.[3] Membros da Women's International League for Peace and Freedom, em Washington, D.C., 1922. No ano seguinte, o Dia Internacional da Mulher foi celebrado a 19 de março, por mais de um milhão de pessoas, na Áustria, Dinamarca, Alemanha e Suíça.[4] Hoje celebra se neste dia 8 de Março e o Ecos da Aldeia quer assinalar esta data enviando a todas as mulheres do mundo um lindo ramo de flores com o desejo que passem um dia muito muito feliz

Estamos em tempo de Quaresma

A quaresma começa sempre na quarta-feira de cinzas e termina na Sexta-feira santa, até a celebração da Missa da Ceia do Senhor com os doze apóstolos... os católicos realizam a preparação para a Páscoa.
O período é reservado para a reflexão, a conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Os fiéis são convidados a fazerem uma comparação entre suas vidas e a mensagem cristã expressa nos Evangelhos. Esta comparação significa um recomeço, um renascimento para as questões espirituais e de crescimento pessoal. O cristão deve intensificar a prática dos princípios essenciais de sua fé com o objetivo de ser uma pessoa melhor e proporcionar o bem para os demais.A quaresma vai a até a páscoa quando o Senhor ressucita.
Todas as religiões têm períodos voltados à reflexão, eles fazem parte da disciplina religiosa. Cada doutrina religiosa tem seu calendário específico para seguir. A cor litúrgica deste tempo é o roxo, que significa penitência. O roxo no tempo da quaresma não significa luto e sim simboliza que a igreja está se preparando espiritualmente para a grande festa da páscoa, a ressurreição de Jesus Cristo. Cerca de duzentos anos após o nascimento de Cristo, os cristãos começaram a preparar a festa da Páscoa com três dias de oração, meditação e jejum. Por volta do ano 350 d. C., a Igreja aumentou o tempo de preparação para quarenta dias. Assim surgiu a Quaresma.
Durante este período realizam se vários actos simbólicos com mais ou menos tradições de terra para terra No nosso concelho do Fundão várias localidades realizam a procissão dos passos, que no Fundão foi este ano o meu amigo José Luis a facultar me algumas fotos durante o seu percurso
Aqui na nossa cidade terá ainda lugar a celebração da procissão do Enterro do Senhor, com uma palestra feita por um padre no Espirito Santo onde acorrem todos os anos centenas de fiéis
A Via Sacra é tambem um acto religioso praticado em todas as localidades do nosso concelho. em algumas com muito mais relevo tendo longos percursos por pelourinhos e capelinhas, outras como por exemplo na minha aldeia Bogas de Baixo o percurso é muito mais curto sempre no interior da igreja onde se encontram as as 15 estações representando o percurso do flagelo de Cristo até á sua morte

Estes factos deixam me contente

É com enorme satisfação que reparo nas visitas assiduas ao blogue de gentes que veem por exemplo da costa Oeste dos EUA como Mountain View
Ou ainda de outros locais como Atlanta, Florida, Newjersey etc etc. isto nos Estados Unidos
Mas veem tambem gentes de Vancouver, Toronto e Montreal no Canadá. Em principio acredito que sejam portugueses especialmente Beirões ou seus amigos. que vivem nesses longinquos paises
è com regozijo que noto que a vinda destes meus visitantes tem estado a aumentar de dia para dia Pedia no entanto que quando passarem deixem uma mensagem em género de comentario para que eu possa realmente agradecer vos a visita Voltem sempre O Blogue pode ser traduzido automaticamente para qualquer lingua, mas permito me neste caso transcrever esta mensagem traduzida para o inglês
t is with great pleasure that we repair in regular visits to the blog people they see for example the U.S. west coast as Mountain View Or other places like Atlanta, Florida, New Jersey etc etc. that the United States But see also the people of Vancouver, Toronto and Montreal in Canada. In principle I believe they are especially Portuguese Beirões or your friends. those living in distant countries è I notice with satisfaction that the coming of my visitors has been increasing day to day He asked, however, that when going to leave a message for comment on gender so I can really thank you for visiting coming back The Blog can be automatically translated to any language, but allow me here transcribing this message translated into English

O Carnaval já passou

Carnaval é uma festa de origem grega, iniciada em meados dos anos 600 a 520 a.C.. E era com no carnaval que os gregos realizavam seus cultos em agradecimento aos deuses pela fertilidade das terras e o que elas produziam . A Igreja Católica acabou por adoptar estas comemorações, em 590 d.C.. É um período de festas regidas pelo ano lunar no cristianismo da Idade Média. O período do carnaval era marcado pelo "adeus à carne" dando origem ao termo "carnaval". Durante o período do carnaval havia e continua a haver uma grande concentração de festejos populares. Cada terra brinca á sua maneira, de acordo com seus costumes. O carnaval moderno, feito de desfiles e fantasias, é produto da sociedade vitoriana do século XIX.
A cidade de Paris foi o principal modelo exportador da festa carnavalesca para o mundo. Cidades como Nice, Nova Orleans, Toronto e Rio de Janeiro se inspiraram se no carnaval parisiense para implantar os seus novos costumes carnavalescas. O Rio de Janeiro criou e exportou o estilo de fazer carnaval com desfiles de escolas de samba, que Portugal adoptou e leva a efeito em varias localidades de Norte a Sul
com maior relevo em Ovar, Torres Vedras, Sesimbra, e Loulé para alem de qualquer cidade, vila ou aldeia portuguesa festejarem com mais ou menos vistosidade, o Carnaval. Loulé continua a reunir durante tres dias milhares de pessoas na Avenida Costa Mealha E este ano embora o Primeiro Ministro tentasse estragar a festa, os foliões fizeram orelhas moucas e nem ligaram ao que ele disse.
As festas de Carnaval foram um êxito, já que nem São Pedro quis saber das recomendações de Passos Coelho e fechou todas as torneiras lá de cima para que não chovesse nestes dias

As familias fazem destas coisas


Não sendo natural de Bogas de Baixo, mas por  ter casado com um boguense de gema que por acaso é o autor deste blogue, fiquei a amar esta aldeia desde a 1ª vez que a visitei. Até  tenho uma pequena história que guardo há 44 anos na minha viagem de nupcias que nessa altura não tinha as vaidades que hoje existem, passei alguns dias em Bogas, em Casa da Tia Maria Rosa, que aliás como todos os tios e tias era uma pessoa admirável.
Afinal o meu marido não sendo rico teve a sorte de ter nascido no seio de uma belissima familia Hoje toda a familia do meu marido é a  minha familia e todos os seus amigos meus amigos são Abraços e beijos para os familiares e amigos de Bogas de Baixo

A vendedora de cebolas

LENDAS e MITOS QUE O POVO CONTA
A rapariga tinha sido mandada à feira pela madrasta para vender um cesto de cebolas e uma giga de ovos. Saíra de casa com o cesto à cabeça ainda o sol não tinha nascido. Por várias vezes, ao longo do caminho, os socos derraparam nas pedras escorregadias pela geada. Salvou-a da queda o bom equilíbrio que sempre teve. Deixasse cair o cesto e era certa a tareia da madrasta. Tanto mais que não se vendem cebolas maçadas e ovos muito menos e ela tinha de entregar em casa o dinheiro certinho.
Chegou à feira já o sol ia alto. Quanto mais cedo se chegasse, melhor negócio se fazia. Os preços começavam a baixar com o arrastar da manhã e os mercadores acabavam por vender os últimos produtos a menos de metade do preço, para não terem de regressar a casa com eles. Passou ao lado da tenda do mercador de caldeirões e corou quando o viu a falar com uma velha que apontava para um caldeirão. Ele era tão bonito, que a rapariga gostava de passar ali só para o ver. O jovem mercador nem para ela olhava. E como poderia ele olhar para uma rapariga tão feia e tão miseravelmente vestida? Mas ela não se importava. A lembrança dele nos dias duros de trabalho e nas noites frias aquecia-lhe o peito e isso bastava-lhe.
Poisou o cesto – ninguém ali à volta se oferecera para a ajudar a descê-lo da cabeça, nem mesmo as conhecidas de outros dias de feira que ao lado apregoavam os produtos – e sentiu-se derreada. No dia anterior, a madrasta tinha-a mandado retirar o estrume do curral, trabalho que lhe ocupou grande parte do dia. Já na cozinha, quando tinha mais vontade de comer e ir para a cama do que fazer o que quer que fosse, a madrasta ainda a obrigou a fazer a ceia e a preparar o cesto para a feira. Enquanto picava uma cebola para o refogado, chorou e o pai, que acabava de chegar de uma lavrada, perguntou-lhe: – Por que choras, minha filha? E ela disse-lhe que por causa da cebola. O pai acreditou e sentou-se junto à lareira a tirar as botas antes de pôr os pés ao fogo. A madrasta, ao lado, cosia uns fundilhos e ali estiveram a fazer sala à espera que o manjar estivesse pronto, enquanto os dois miúdos, seus meio-irmãos, por ali andavam a arranhar-se com gritos e correrias. Foi muito tarde que a rapariga se foi deitar no quarto das traseiras, depois de ter lavado a loiça, preparar o avental, a saia e a blusa que no dia seguinte vestiria para a feira. Mesmo assim, aos olhos de quem passava, não parecia mais do que uma mendiga, tão remendada estava a saia, tão gasto o avental e tão puída a blusa.
Apesar de todas as desgraças, o negócio corria-lhe bem e no final da manhã tinha vendido quase todos os ovos e boa parte das cebolas. Estava com tanta fome que se atreveu a pegar numa cebola, das mais pequenas. Tirou-lhe as várias camadas de casca e começou a comê-la com um pedacito de pão duro que guardara no bolso do avental. Estava ela de boca cheia, sentindo a acidez da cebola a picar-lhe a língua, quando se aproximou a velha que ela tinha visto a conversar com o jovem mercador. Trazia um caldeirão na mão, parou junto ao cesto e perguntou-lhe pelo preço das cebolas. A rapariga disse-lhe que, como eram as últimas, lhas dava por metade do preço. A velha apalpou uma e comentou
A rapariga não sabia dizer. As bruxas são más, toda a gente sabe, e se assim fosse, a madrasta era uma bruxa. Mas a rapariga também sabia que as bruxas eram velhas e feias. E então a madrasta já não podia ser bruxa. Foi por ser nova e bonita que o pai, quando ficou viúvo, casou com ela. Mas não sabia explicar como sabia a madrasta o dinheiro que a rapariga lhe deveria entregar. – Não me parece que durem todo o Inverno. Têm a casca mole. Piscou o olho direito e acrescentou: – Se mas deres por metade do preço dessa metade que dizes, talvez as leve. – Não posso, tiazinha – respondeu a rapariga. – A minha madrasta recomendou-me que não descesse o preço mais do que o justo. Se não lhe entregar o dinheiro certo, ela castiga-me. – E como sabe ela qual é o dinheiro certo antes de a feira acabar? – perguntou a velha piscando desta vez o olho esquerdo. – É por acaso bruxa? – Talvez – sugeriu a velha – ela não saiba, mas diz que sabe para tu ficares com medo e não te deixares enganar pelos clientes ou não gastares o dinheiro mal gasto. E pôs-se a matutar. Bem que as cebolas valiam o dinheiro que a rapariga pedia. Mas ela não tinha moedas suficientes. Foi então que lhe surgiu uma ideia: – Dás-me as cebolas pelo meu preço e não precisarás mais de te preocupar com a tua madrasta, que deve ser uma mulher bem mais malvada do que eu. A rapariga não percebeu bem a fala da velha do caldeirão. Mas porque lhe pareceu que a velha era atrasadinha, coitada, deu-lhe as cebolas ao preço que ela estava disposta a pagar. A velha meteu as cebolas no caldeirão e foi-se embora muito satisfeita depois de ter dito como despedida: Eu te fado bem fadada
Para que sejas bem casada. A rapariga guardou as moedas no bolso do avental, acabou de comer a cebola e o pão, ajeitou o cesto na cabeça, agora bem mais leve e preparou-se para abandonar a feira. Passou na tenda do mercador dos caldeirões e, como sempre fazia, olhou para lá de relance. Estava estranhamente abandonada, com os caldeirões brilhando ao sol sem ninguém que os guardasse. A rapariga aproximou-se, poisou o cesto e pôs-se a observar a tenda. Ali perto havia um charco e ela ouviu um coaxar. Junto à água estava um enorme sapo, tão grande como ela nunca vira. A maneira como o bicho coaxava parecia dizer: Beija-me, beija-me, mas dito pelo nariz. Ela pôs-lhe a mão e sentiu-lhe o dorso viscoso. Se fosse outra, sentiria nojo e fugiria dali a cuspir. Mas a rapariga estava habituada a coisas bem mais nojentas que a madrasta a obrigava a fazer.
– Estás aqui sozinho? Coitadinho! – disse ela. E o sapo coaxava: Beija-me, beija-me. Ela pegou nele em ambas as mãos, como se pegasse numa flor, passou-lhe os lábios pela cabecita sem pescoço e, sem que ela percebesse como, viu-se ao colo do jovem mercador de caldeirões. Ele sorriu e retribuiu-lhe o beijo. Depois disse:
– És a rapariga mais bela deste reino. E porque me salvaste, farei de ti a rainha dos caldeirões. -Posted on 06/18/2010 by contosdeadormecer

Lendas e Mitos que o povo conta

“Atiro a porta mãe!?” Vivia um menino pobre, com sua mãe, nas últimas casas de uma aldeia. A mãe ia trabalhar, todos os dias, deixando o menino sozinho. Antes de sair recomendava-lhe: – Não abras a porta a ninguém, nem mostres as nossas verónicas! O menino respondia-lhe que fosse descansada, porque ele faria conforme ela lhe estava a recomendar. Mas, certo dia, uns homens, que pareciam boas pessoas bateram à porta e perguntaram ao rapazinho se lá em casa haveria alguma coisa bonita que ele lhes pudesse mostrar. O menino correu a buscar as verónicas, que a mãe guardava na cómoda do quarto. Os ladrões – porque era isso que eles eram – pegando no saco, imediatamente se foram embora. Pouco depois, chegou a mãe. O menino estava triste e confessou-lhe o que se tinha passado. A pobre mulher, vendo-se sem o seu tesouro, lançou mãos à cabeça e começou a correr estrada abaixo, pelo caminho que os ladrões tinham seguido. Entretanto, gritava para o menino que a queria acompanhar: Fecha a po…o…orta…!!! Levo a porta, mãe…e…e? – respondia-lhe o menino. Fecha a po…o…o…orta…!!! Levo a porta, mãe…e…e? Sem entender o que a mãe lhe gritava, cada vez mais distante dele, levantou a porta e começou a correr, com ela às costas, ao encontro da sua mãe. Já muito longe de casa, muito cansados e sem verem o caminho, porque, entretanto, o sol já se tinha posto, mãe e filho resolveram passar a noite em cima de uma azinheira, carregando, também, a porta. A altas horas, sentem passos… conversas… por entre as árvores do montado. E, qual não foi o seu espanto quando, precisamente debaixo da árvore em que eles estavam, se vieram sentar, discutindo, dois homens carregados de sacos e outros objectos. Eram os ladrões, que se preparavam para dividir, entre si, o que tinham roubado. Então começaram: Pataca a ti… pataca a mim… Pataca a ti… pataca a mim… A mulherzinha e o filho, em cima da árvore, nem respiravam. A criança na sua imprudência, murmurava à mãe: Atiro a porta, mãe? A mãe, com um gesto, tapava-lhe os lábios, gelada de medo. O menino continuava: Atiro a porta, mãe? E atirou! Os ladrões, pensando que era o céu que lhes caía em cima, puseram-se em fuga e não mais voltaram. Foi assim que mãe e filho puderam recuperar não só as suas verónicas, como também, ganhar muitas outras riquezas que os ladrões abandonaram no chão, debaixo da azinheira. Posted on 07/21/2010 by contosdeadormecer

Lendas e Mitos que o povo conta

UMA LENDA DA SERRA DA ESTRELA Esta é a história de um pastor pobre que vivia numa aldeia triste e tinha por única companhia um cão. Este pastor fitava o horizonte e o seu coração enchia-se de esperança de um dia viajar para além das montanhas que envolviam a sua aldeia. Uma noite de luar em que o pastor olhava o céu estrelado, desceu até ele uma estrela pequenina com um rosto de criança que lhe falou do seu desejo. Estava ali por vontade de Deus, para guiar o pastor para onde este desejasse ir. A partir de então, a estrela nunca mais abandonou o pastor, sorrindo-lhe do céu noite após noite. Até que veio o dia em que o pastor tomou a decisão de partir e chamou a estrela. Os velhos da aldeia abanaram as suas sábias cabeças a tamanha loucura. O pastor partiu e caminhou durante intermináveis anos. O seu cão não aguentou a dura jornada e ficou pelo caminho, marcado por um sinal de pedra. O pastor chorou e continuou em busca do seu destino, envelhecendo junto com a estrela até que um dia chegaram ao seu destino, à serra mais alta, a que ficava mais perto do céu e ali ficaram juntos. O rei da região mandou-lhe emissários com promessas de poder e fortuna em troca da estrela. O pastor respondeu-lhe que a estrela não era dele mas do céu e que nunca a abandonaria. A lenda diz que ainda hoje da serra da Estrela é possível ver uma estrela que brilha mais do que as outras, de saudade e de amor por um pastor.