O que é nosso é realmente bom
Não podia ter feito um titulo mais adequado que este para os produtos que produzimos na
Beira Baixa.
A Beira Baixa faz parte da transição das montanhas para a planicie Alentejana e é aqui
que se produzem muitos e variados produtos de grande qualidade que nós Portugueses deveriamos
consumir exclusivamente, rejeitando outros artigos que eu diria que são genéricos vindos do
estrangeiro. Temos as melhores carnes, o melhor fumeiro, queijos que nos deixam sempre com
vontade de comer mais.
Os vinhos são dos melhores do mundo, fruta variadissima que vai da cereja á maçã,não esquecendo
o pessego o melão a melancia e tantos outros.
O meu blogue defende as tardições da minha terra
o meu blogue defende igualmente os excelentes produtos confecionados na nossa Beira Baixa,
destacando se a Cova da Beira e o concelho do Fundão
A nossa região da Cova da Beira e toda a Beira Interior estiveram sempre presentes na História de Portugal. Ficaram por cá muitos vestigios Celtas Uma região com muitos "castros" - e é nesta zona que em 25 a.C. foi fundada, pelos Romanos, a Lusitânia, seguindo-se, durante o séc. V da nossa era, invasões de Vândalos, Suevos e Alanos.
Já nese tempo se produzia bom vinho nas nossas terras, e hoje podemos vangloriar nos porque as gentes mais recentes souberam continuar e aprefeiçoar este gostoso nectar
Vinhos tintos:
Aragonez (Tinta Roriz), Baga, Bastardo, Jaen, Marufo, Moreto, Castelão (Periquita)1, Rufete, Tinta Carvalha, Touriga Nacional e Trincadeira (Tinta Amarela), no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, e Alfrocheiro.
Vinhos Brancos:
Alicante Branco, Arinto (Pedernã), Bical, Fonte Cal, Malvasia Fina, Malvasia Rei, Rabo de Ovelha e Síria (Roupeiro), no conjunto ou em separado, com um mínimo de 80%, e Tamarez.
Tradições da Beira
MATANÇA DO PORCO
Como é do conhecimento geral, a matança do porco era uma festa familiar e reforçava a despensa para o próximo ano.
Depois de trazido o porco da furda que em alguns casos situava se ao lado da casa e ainda me recordo de serem guardados na loja por baixo da habitação, normalmente ficava fora da povoação, mas nunca muito longe de casa.
O porco era agarrado com garra por quatro ou cinco homens que o deitavam em cima da banca de madeira. Depois de bem seguro, o matador ata-lhe o focinho, não vá ele morder e espeta-lhe a faca.
Normalmente uma mulher com um alguidar de barro apanha o sangue onde mistura um pouco de sal e vai mexendo-o com a mão para não coagular.
Seguidamente a mulher coze-lhe o golpe feito pela faca do matador e começa-se a chamuscar o porco com chamuscas de giestas secas e mais recentemente com maçaricos a gás muito mais eficientes.
Depois de bem chamuscado, esfrega-se e lava-se bem lavado e dependura-se com a ajuda de uma corda e do chambaril na parede exterior na casa ou no sobrado do sótão para se poder abrir e retirar as tripas.
Nesta operação é preciso muito cuidado para que se não rebente o fel, que iria causar mau sabor nas carnes.
Depois desta operação as mulheres partem para o ribeiro para lavarem as tripas com água, sal e laranjas, que posteriormente vão servir para fazer os chouriços, farinheiras, morcelas, etc.
Os homens pesam o porco com auxílio de uma balança manual de pendurar “Romana” e seguidamente continuam a desmanchar e separar as carnes que as mulheres irão mais tarde utilizar para os diferentes tipos de enchido ou pratos que irão ser confeccionados.
Os toucinhos e presuntos vão para a salgadeira onde serão conservados durante o ano.
Se for lua nova não se mexe em carnes.
Fevereiro é ainda um optimo mês para a matança, já que esta tradição acontecia nos meses de Inverno, com temperaturas negativas, altura ideal para conservar as carnes.
Quando era jovem muitas vezes assisti á matança do porco, numa altura em que só existia o sal para conservar as carnes
Hoje qualquer altura pode ser boa para este trabalho já que as carnes são todas guardadas nas arcas congeladoras.
Mas será que a tradição da matança do porco desapareceu nas nossas aldeias?
É fácil que a maioria das familias já não o façam, dado as possibilidades de comprar todos os dias carnes frescas no talho lá da aldeia ou do bairro
Bogas de Baixo ficou mais pobre
E Bogas de Baixo vai ficando mais vazia com a partida para a eternidade
os seus filhos que ao longo dos anos aqui labutaram e tornaram Bogas cada vez mais próspera
Foi o caso do nosso amigo Luis Simão que faleceu ontem tendo sido realizado o seu funeral
hoje ás 16 horas para o cemitério local.
No meu caso muito particularmente deixa me um certo vazio porque era um dos boguenses ,
mesu amigos
Sempre que ia a Bogas eu adorava cumprimentar o Luis e conversar com ele , bem como
com os seus irmãos José e Aurélio
Até aqui viamo nos muitas vezes
Passamos vilas e cidades, rios e ribeiros, bosques e florestas...
Não faltaram os grandes obstáculos.
Freqüentes foram as cercas, ajudando a transpor abismos...
As subidas e descidas foram realidade sempre presente.
Juntos, percorremos na vida apoiando nos nas curvas, descobrimos cidades...
Chegou o momento de cada um seguir viagem sozinho...
Que as experiências compartilhadas no percurso até aqui sejam a alavanca para
alcançarmos a alegria de chegar ao destino projetado.
A nossa saudade e a nossa esperança de um reencontro aos que, por vários
motivos, nos deixaram, seguindo outros caminhos.
Houve sempre aquele apoio nos bons e nos maus momentos.
Uma despedida é necessária antes de podermos nos encontrar outra vez.
Que nossas despedidas sejam um eterno reencontro.
Paz á tua alma Luis Simão
Roteiro fotográfico II
O meu roteiro de hoje vai ser em redor do cabeço de Zibreiro
Um monte que faz ainda parte da Gardunha possuindo um grande Parque Éólico
no seu cume .
E nas suas encostas situam se as aldeias do Maxial, Ladeira, Descoberto,no concelho do Fundão
Ingarnal, no concelho de Castelo Branco, Adgiraldo, Foz do Giraldo, e Casas da Zebreira no concelho de Oleiros Freguesia de Orvalho
Começo então pelo Maxial uma das mais belas aldeias da Beira Interior distante dos pricipais meios urbanos deste Distrito, Castelo Branco e Fundão, aproximadamente 45 Kms
Panoramica geral da localidade de MAXIAL
Agora vamos para uma outra aldeia que eu não me canso de recordar, A Ladeira De Nossa Senhora do Carmo
Uma aldeia com muitas semelhanças com a aldeia de Talasnal na serra da Lousã mas esquecida pelos administradores
da Pinus Verde por não a terem proposto como aldeia de Xisto
Imagens da Ladeira
Panorâmica da aldeia
Uma adega particular onde os amigos se reunem para beber um copo e por a conversa em dia
Ao lado da adega os potes de azeite puro da oliveira
Subimos ao cume do Monte e deparamo nos com uma grande extensão ocupada por grandes ventoinhas Eólicas
De um lado temos ainda a aldeia do Decoberto tambem bastante desertificada por causa da emigração, mas onde no VErão se junta muita gente que vem matar saudades
No lado contrário temos o Ingarnal a minha aldeia do coração já que foi aqui que fui concebido na terra do meu pai
e daqui não podia deixar de lembrar tambem a Adgiraldo e a Foz do Giraldo, bem como Casas da Zebreira
aldeias perdidas na serra que hoje em dia vão conhecendo mais popularidade pelas gentes que passam de Castelo Branco para o Orvalho e Bogas de Baixo
Voltarei em breve para partilhar mais imagens em redor da Gardunha
NAS ABAS DA MONTANHA - Roteiro Fotográfico
Iniciando este roteiro bem cá pelo extremo oeste do concelho do Fundão, mostro-vos uma imagem da entrada na minha aldeia Bogas de Baixo e uma panoramica parcial da aldeia
Subindo pela margem do rio Zêzere com recantos de rara beleza, eis nos chegados a Janeiro de Cima, com as suas barcas que embora agora não sirvam para mais que um simples passeio pelo rio, antigamente eram nestas barcas que as nossas gentes atravessavam o rio, tanto aqui como tambem em Janeiro de Baixo
Em seguida uma das pitorescas ruas da aldeia de Xisto Janeiro de Cima
Começamos a subir e avistamos o Penedo do Barroco, de um lado situam se as aldeias de Bogas de Meio e Bogas de Cima e do Outro o Zêzere e as aldeias do Carregal e Porto de Vacas do concelho da Pampilhosa da Serra bem como o Alqueidão freguesia da Barroca concelho do Fundão
Depois na Malhada Velha outra aldeia de Xisto podemos visitar a casa do Cogumelo as ruinas do antigo lagar de azeite a sua capela, assistir á descamisa do milho, saborear um bom naco de pão acabado de cozer e muito mais
E esta paisagem magnífica da aldeia da Ladeira de Nossa Senhora do Carmo? situada na encosta do Cabeço Zibreiro?
Aqui nas nossas aldeias do sopé da serra como já deu para verificar, ainda se cozem grandes fornadas de pão que alimentam durante uma semana ou mais várias familias, embora seja na altura das festas das aldeias que os fornos tenham mais serventia
Depois utilizam se ainda aquelas panelas de ferro com tres pernas onde se confecciona boa comida, como eu me lembro da belissima e gostosa sopa que a minha mãe fazia....
E para terminar como estamos a atravessar uma fase de frio intenso neste inverno, embora com pouca chuva e neve, deixo vos algumas imagens de 2011 em Bogas de Baixo, no Maxial e na Malhada Velha
Fiquem bem e esperem pela próxima postagem que será muito em breve
Dia Mundial Contra o Cancro
“Juntos é possível" é o lema do Dia Mundial Contra o Cancro 2012, que se celebra no dia 4 de fevereiro.
Todos os anos, a 4 de fevereiro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) alia-se à União Internacional contra o Cancro (UICC), a fim de promover o combate contra o cancro.
Em 2012 a data é celebrada sob o lema "juntos é possível", isto porque apenas se cada um (organizações, governos, indivíduo) fizer a sua parte será possível reduzir em 25%, até 2025, mortes prematuras de cancro e outras doenças não transmissíveis no mundo.
O Dia Mundial Contra o Cancro 2012 é particularmente importante porque calha quase meio ano após a primeira Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Doenças Não Transmissíveis e a assinatura da declaração política de apoio à prevenção e controlo destas condições devastadoras, incluindo o cancro.
Enquadrada na Campanha Mundial do Cancro, a celebração do Dia Mundial baseia-se na Carta de Paris, aprovada a 4 de fevereiro de 2000, na Cimeira Mundial Contra o Cancro para o Novo Milénio.
A Carta apela à aliança entre investigadores, profissionais de saúde, doentes, governos e parceiros da indústria no âmbito da prevenção e tratamento do cancro.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o cancro é uma das principais causas de morte no mundo. Em 2008 foi responsável por 7,6 milhões de mortes, cerca de 13% de todas as mortes.
Portal da Saude
Mais de 400 mil idosos vivem sozinhos
Li hoje uma noticia da redação do Jornal A BOLA que me deixou preocupado e até um pouco indignado porque eu e os meus irmãos nunca deixámos que os nossos pais tivessem sido abandonados a viver sozinhos
O Instituto Nacional de Estatística (INE) revelou esta sexta-feira dados que indicam que mais de 1,2 milhões de idosos vivem sozinhos ou em companhia de outros idosos.
400.964 idosos vivem sozinhos e 804.577 na companhia exclusiva de outras pessoas com 65 ou mais anos, representando cerca de 60 por cento da população idosa a viver nestas condições, de acordo com resultados verificados nos Censos de 2011.
Comparando os Censos de 2011 com os de 2001, é possível verificar que nos últimos dez anos houve um aumento de 28 por cento de idosos a viver sós ou em companhia com outros idosos.
A GNR identificou em 2011 mais de 15 mil idosos a viver sozinhos ou isolados. Os números serão atualizados no final da segunda operação «Censos Sénior», que decorre até 29 de fevereiro em todo o País.
O objetivo é o de atualizar os dados sobre os idosos que vivem sozinhos ou isolados.
Mas ao mesmo tempo sinto algum conforto moral por saber que na minha aldeia Bogas de Baixo há muito tempo
que o Centro Social, percorre as anexas da Freguesia, visitando diariamente os nossos idosos, transportando
lhes algum carinho e comida para as suas refeições, já que os da Sede de Freguesia se deslocam diariamente
Ao Centro Social e Centro de Dia onde podem tomar o pequeno almoço, almoço e jantar, regressando depois as suas casas.
Eu próprio comprovei que a comida é de optima qualidade confecionada por Jovens muitissimo competentes.
e servindo muito carinhosamente os mais nescessitados.
O Lar deve estar em bom ritmo de construção com o intuito de alguns dos utentes poderem ficar a tempo inteiro.
Deus queira que isto se possa manter com a comparticipação de muitos jovens e a Junta de Freguesia de Bogas de Baixo para alem da ajuda de outras entidades competentes
Jornal do Fundão - Opinião - Um Jornal de causas e da grande cultura portuguesa
Jornal do Fundão - Opinião - Um Jornal de causas e da grande cultura portuguesa
O Jornal do Fundão, fundado em 1946 (no ano do meu nascimento),por António Paulouro, é hoje um marco referencial no panorama da imprensa regional portuguesa. Com uma tiragem semanal de 17.000 exemplares e um universo de audiência que atinge os 100.000 leitores, foi distinguido com a Ordem do Infante D. Henrique e tem no seu historial outros galardões como o Prémio Gazeta, homenagens das Universidades de Salamanca e da Comunidade Portuguesa em França.
O Jornal do Fundão faz parte da matriz de identificação da Beira Interior e é reconhecidamente um elemento da sua coesão social bem como do desenvolvimento económico e cultural da região.
O Jornal do Fundão tendo vindo a reforçar a sua influência no eixo geográfico que vai desde a região da Guarda, Covilhã, Fundão e Castelo Branco. É líder destacado de audiência da Imprensa Regional no distrito de Castelo Branco e tem ainda expressiva audiência nacional.
Noticia no DIÁRIO DAS BEIRAS
Associação da Beira Baixa pede reposição de comboios no Intercidades ou redução de preços
----------------------------------(imagem retirada do google)-----------------------------------------------------
--------------------------------Diário das Beiras-----------------------------------------------------------------------------------
Os Amigos da Linha da Beira Baixa pediram esta quinta-feira (19) à CP a reposição dos comboios que trocou por automotoras no serviço Intercidades, entre a Covilhã e Lisboa, ou que baixe os preços, porque as viagens “têm menos qualidade”.
O material circulante foi “despromovido”, a Beira Baixa é a única linha onde o serviço Intercidades é feito por automotoras, mas os preços mantiveram-se, queixa-se a associação, que teme pelo futuro da linha.
Em comunicado, os Amigos da Linha da Beira Baixa pedem que a CP reponha a locomotiva e carruagens do serviço Intercidades em pelo menos duas das seis ligações diárias (uma em cada sentido).
“O serviço não tem categoria para os preços praticados” – 24 euros em primeira classe e 18,50 em segunda por viagem -, que não foram alterados quando o serviço passou a ser feito por automotoras suburbanas “retocadas”, refere a associação.
Apesar de a linha ter sido modernizada em 2011, a CP justificou a mudança com uma poupança de 1,5 milhões de euros por ano, esperando “continuar a oferecer uma viagem agradável” e, por isso, sem esperar “uma perda de passageiros”.
No balanço de dois meses de mudança, os Amigos da Linha queixam-se da “má suspensão crónica das automotoras”, com “trepidação e ruído persistente”, que até podem ser toleráveis em breves percursos citadinos, mas são “um incómodo atentatório para 03:45 de percurso”.
O bar foi eliminado, as máquinas de comida muitas vezes não funcionam, as bagageiras não tem espaço para viagens de longo curso, faltam cortinas nas janelas e só há duas casas de banho para toda a composição (lotação de 200 lugares), acrescentam.
Desapareceram também as portas que travavam o frio do exterior no corredor de cada carruagem. Na primeira classe, a perda de qualidade “é ainda mais notória, com bancos de muito pior qualidade”, referem. As automotoras estão ainda limitadas a uma velocidade máxima de 120 quilómetros por hora.
É tão bom ser pequenino
Hoje quis partilhar no meu blogue um texto de Paulo Geraldo inserido em http://familia.aaldeia.net/ que me faz voltar atraz e reviver um pouco da minha meninice até aos dias de hoje
Permito me ilustrar este texto com uma belissima imgem de pesquisa no google
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Recordo o cheiro dos lençóis lavados, a guerra para lavar os dentes, histórias contadas antes de adormecer. O desejo de chegar a casa, o aconchego e, depois, outra vez a vontade de sair.
Corria para a minha mãe quando caía e me magoava. Não para o meu pai, porque seria preciso dar muitas explicações e ouvir de novo o racional “Eu já te tinha avisado…”.
Um prato especial nos dias de festa. Birras. É preciso vestir aquela roupa nova. É a tua vez de lavar a louça.
Não sei muito bem a partir de que idade é que os irmãos deixam de ser irritantes…
Depois do jantar fazíamos jogos e entretínhamo-nos uns com os outros. Por vezes, quando era Verão, saíamos a passear e apanhávamos pirilampos.
A chuva lá fora, o calor dentro de casa. Um livro. Um amigo que vem lanchar. Um ralhete porque desta vez passámos dos limites e as calças vêm cheias de lama. Já te disse tantas vezes que não se deve deixar aí a roupa suja…
Acordar com um beijo. Adormecer com uma oração.
Natal. Os primos. Visitas a casa dos avós. Brincadeiras. Às vezes notar, sem notar, uma expressão semelhante a tristeza ou cansaço no rosto do pai ou no rosto da mãe. Depois, brincadeira de novo. Música, flores, sorrisos. É tão bom ser pequenino…
Coisas pequenas. Diárias. Vulgares. Mas enormes, únicas, cheias de magia.
Durante muito tempo estive convencido de que era a infância que acendia nas pequenas coisas de todos os dias essa música e esse encanto que agora recordo. Que era por ser pequeno na altura que todas essas coisas são agora especiais. Mas há tantas pessoas que foram também pequenas e nunca poderão ter recordações destas… E não porque não tivessem tido pais, ou porque estes os tivessem maltratado ou porque tivessem sido demasiado pobres.
Geralmente não é muito difícil casar, ter filhos, uma casa para viver. Mas depois de se conseguir isso podemos chegar à conclusão de que é muitíssimo difícil construir uma família. É talvez como ter já os tijolos e, no entanto, sentirmo-nos incapazes de encontrar o cimento que os una, lhes dê forma, consistência e identidade.
É fundamental ter uma infância feliz… E começámos então a dar aos filhos coisas excelentes e actividades fantásticas e experiências divertidas. E enchemos de trabalho os dias, para lhes podermos dar tudo isso. Saímos, portanto, de casa. E a casa esvaziou-se.
E deixámos de viver com os filhos. As coisas fantásticas que lhes demos acabaram por ocupar quase todo o tempo em que deveríamos ter estado com eles.
É muito fácil errar o caminho.
Ao crescer, descobri que para se ter os lençóis lavados e passados a ferro é preciso frequentemente deitar-se mais tarde e dormir menos.
Aprendi que é preciso ter paciência para fazer uma criança ganhar o hábito de lavar os dentes ou deixar a roupa suja no local correcto. E que a paciência dói.
Reparei em que as pessoas mais velhas gostam de sossego depois do jantar, porque se cansam facilmente. E que, por isso, tem um alto preço fazer nessa altura jogos com crianças ou correr atrás de pirilampos.
Vim assim a saber que o cimento da família é aquilo que se faz pelos outros, deixando de fazer aquilo de que se gosta, para os ver felizes, para os construir, para os ajudar a chegar a onde devem chegar. Aquelas pequenas coisas da minha infância foram grandes, afinal, porque eram feitas de um amor sacrificado e escondido. Esse amor toca naquilo que é pequeno e engrandece-o. Desenha flores no pó do quotidiano. Só ele permanece.
(Paulo Geraldo)
Quem é Paulo Geraldo ? Veja aqui
Os Velhos
Quando a idade já se torna um peso em nós eis nos a lembrar nos que tambem estamos a caminhar apressadamente para a velhice
Por isso me lembre de ir rebuscar á parte lateral do meu blogue esta bela História que vou partilhar
“Quando te tornares senil, não o saberás”
(Bill Cosby)
Há já algum tempo que visito Lares de idosos, para acompanhar a realidade dos nossos idosos. É com amargura que sou defrontado, regularmente, com muitos casos em que o idoso é abandonado na sua casa pela família, largado à sua própria sorte ou, então, num lar onde espera uma morte vigiada.
Foi numa dessas visitas que conheci o Sr. Joaquim. Olhar cansado, sempre rente ao chão, sentado numa poltrona. Sem qualquer aspiração esperava, sentado, pelo melhor remédio contra a velhice abandonada.
Conversávamos longas horas acerca dos mais variados assuntos, transmitia-me a sua experiência de vida. Para mim, velhice significa conhecimento; por isso, considerava o Sr. Joaquim uma “ biblioteca ambulante.”
Pesavam-lhes os anos e a ingratidão. Acabou sozinho, esquecido pela família. Vivia na expectativa do dia em que o telefone tocasse e fosse uma voz amiga do outro lado da linha ou, quando se atrevia a sonhar mais alto, que a porta se abrisse e recebesse um sorriso conhecido.
Sinto-me feliz e orgulhoso por ter feito parte da sua vida, por lhe ter dado o abraço merecido e arrependo-me dos dias que não desfrutei da sua companhia.
Miguel Torga um dia disse: “ A velhice é isto: ou se chora sem motivo, ou os olhos ficam secos de lucidez”. O Sr. Joaquim lamentava-se, mas já não chorava. Sentado no sofá esperava ,um dia atrás do outro, que já não tivesse que abrir os olhos para vislumbrar a sua solidão. E assim foi.
Recentemente, ao dirigir-me à instituição onde permanecia, para apreciar mais uma vez um pouco da sua companhia, disseram-me que tinha falecido. Quando perguntei se tinha conseguido contactar os seus familiares, a resposta veio baixinho, em tom envergonhado: “quando dei a noticia responderam-me : mas ele ainda estava vivo?!! ”.
Senti-me revoltado. O que levará um filho, um irmão, um neto, a esquecer quem um dia já lhe deu pão? Tratar um ser humano como um objecto inútil, sem serventia, porque está desgastado pelo tempo é, para mim, crime perverso. Ou então, quem faz isto, talvez queira fugir do seu próprio destino, a velhice, como diz uma canção de Mafalda Veiga .
Defendo que as famílias, as instituições vocacionadas para a problemática da terceira idade e, sobretudo, cada cidadão, deverá dar o seu contributo para evitar a exclusão do idoso. Pois, na verdade, o envelhecimento é inevitável, chegando um dia destes a todos nós .
(Claúdio Anaia)
http://familia.aaldeia.net/category/os-avos/
Subscrever:
Mensagens (Atom)







































