
Ainda me lembro quando logo de manhã a banda se fazia ouvir a partir do cabeço do Outeiro ao som de foguetes a estoirar ouvia se a alvorada
Depois era a arruada pela aldeia e recolhiam se as ofertas que iriam compor o recheio da Quermesse

O almoço, era sempre reforçado. Juntavam se a família, aqueles que se viam uma ou duas vezes por ano, a emigração a isso obrigava já nesse tempo.Cada um contava a sua estória, falava se doa probelamas da vida de cada um.
Nos tascos que até eram bastantes nesse tempo,já não havia espaço para mais ninguém. Estavam cheios, como de costume. No domingo da festa de nossa senhora das Dores éra sempre assim. Havia menos carros, mas juntava muita gente a nossa aldeia.
Apertados abraços de amigos de longa data.
Alguns já não se viam há muitos anos.
Agora as festas não teem o mesmo cariz, sem deixarem no entanto de ter um sabor ao antigamente

Não fora a quantidade imensa de carros, de matrículas portuguesas, francesas, e Suiças, e parecia ter-se voltado alguns anos atrás. Veem se crianças correr na rua, a alegria dos miudos ecoa pela calçada... e a alegria das velhotas com suas doces rugas bem vincadas no rosto e um sorriso de orelha a orelha
Os emigrantes chegam e de todo o lado veem tambem os nossos conterraneos como eu ausentes mas sabem como é, desde que os pais morreram, resfria um bocado a vontade de voltar... Mesmo assim eu pessoalmente adoro ir á minha aldeia mesmo que não seja dia de festa. e as horas passam, velozes, quase sem se dar por elas... E, quando se dá por conta, já é hora de ir embora e guardar as recordações, e as saudades que já se começam a sentir e um adeus difícil. É sempre difícil dizer adeus...
A festa de Bogas de Baixo vai continuar a realizar se tenho a certeza enquanto existir gente que ama a sua terra a sua familia e os seua amigos.
Pois a festa será sempre um bom pretexto para que todos se reunam e se revejam

































