Hoje é noite de S. João e por todo o País, nuns lugares menos, noutros mais se festeja o S João com muita sardinha assada, vinho muita folia
Já o ano passado escrevi estas coisas, mas nisto d e recordações até gosto de me repetir
Talvez pelo que isso representa na imaginação das nossas gentes, na noite de São João, que como todos sabemos é de 23 para 24 de Junho, as raparigas cá da terra cumpriam a tradição de ornamentar o chafariz, que ainda hoje existe no mesmo lugar que sempre chamamos de largo do chafariz, com vasos de plantas e de flores que para ali transportavam de qualquer local onde os encontrassem.
Muita gentinha se zangava por lhe levarem os vasos,
embora a maior parte do povo aceitasse bem a brincadeira deixando levar os vasos
desde que voltassem a colocá-los no mesmo sítio de onde os tiraram,
e isso era regra geral o que acontecia sempre que a noite e dia de S joão chegavam ao fim
para alem disso lembro me de assistir algumas vezes á queima do mastro tambem erguido sempre junto do chafariz
Os mais velhos ainda se lembrarão que á semelhança do que se fazia noutras aldeias vizinhas da beira baixa e beira litoral,a malta jovem tinha por habito
erguer um mastro no largo principal da povoação,sempre no largo do chafariz frente á taverna do ti Zé Antonio na noite de São João.
A rapaziada partia em busca dum pinheiro ali pelos arredores de Bogas
e ao encontrarem um bem direitinho e de maior altura vinha abaixo rapidamente .
ali no local limpavam o dito das suas pernadas e ramagem transportavam-no em ombros, no meio de grande alarido, para o local onde o iriam erguer.
Revestido de palha em todo o seu comprimento e colocado no topo um cântaro de barro, preso por um nagalho,dentro do qual se havia introduzido um gato, normalmente apanhado distraído,depois da rapaziada ter percorrido a povoação à procura do bichano
Ás vezes quando se tentava apanhar este ou aquele gato trazia algumas dificuldades
mas acabava normalmente por ser bem sucedida, embora houvesse frequentes discussões
com os donos dos bichanos que eram apanhados.
Terminadas todas estas tarefas, o mastro era então erguido ao alto e a sua base enterrada num buraco que entretanto havia sido preparado para tal finalidade.
Deitava-se então fogo à palha que o revestia, o lume facilmente alastrava e não tardava a subir mastro acima, acabando por queimar o nagalho que prendia o cântaro,
lá no alto, e perante a gritaria da rapaziada e regozijo, essa vasilha de barro caía estrondosamente no solo, partia-se em cacos, e o pobre gato, chamuscado
e aterrorizado, corria velozmente à procura dum ambiente onde a temperatura fosse mais agradável.
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E como estamos em noite de S. João, nada melhor que um cheirinho a manjerico com a musica de fundo a rimar