segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Era uma vez uma velha

Lembrei me hoje de um conto muito antigo e que já a minha avó contava

Era uma vez uma vez uma  velha, muito velha! Essa velha tinha uma filha  casada com um lavrador (quinteiro) muito rico mas vivia muito longe. Um dia a filha teve um menino e mandou-a chamar para ir ao Baptizado. A velha ficou triste. Estava muito velha, a viagem era muito longa, e tinha de atravessar o mato... Mas queria ver o netinho e então resolveu ir ao Baptizado.  Arranjou as coisas e lá foi ela.

Quando ia a meio do caminho encontrou um grande lobo que a queria comer. A Velha tentou fugir-lhe da melhor maneira que conseguia, e quando ele se preparava para a comer a Velha disse-lhe assim:
- Ai, Senhor Lobo! Não me coma! Por favor!
- Vou-te comer! - Respondeu o Lobo com voz cavernosa!
- Por favor! não me coma agora. Estou a caminho do Baptizado do meu netinho... se não me comer agora quando regressar, venho de barriga cheia e mais gordinha...
O Lobo achou que era uma boa proposta! Deixou a Velha continuar a sua viagem e ficou à sua espera no caminho, para depois a comer, já com mais carninha!

A Velha lá foi ao Baptizado. Viu o netinho e ficou feliz por isso, mas mesmo assim estava muito triste. Quando chegou a hora de voltar para casa, despediu-se da filha entre lágrimas:
- Adeus, minha filha! Que sejas sempre feliz! Pois eu vou-me embora e nunca mais me tornarás a ver....
Sem perceber o que se passava a filha perguntou:
- Então, mãe? Porquê?
E a Velha contou-lhe a sua triste sorte e o que tinha acontecido pelo caminho...
Mas a Filha teve uma ideia. Ao pé delas estava uma carroça cheia de grandes cabaças. A filha pegou numa, entregou-a à mãe e disse-lhe:
- Quando chegar à parte do caminho onde vive o Lobo, a mãe mete-se dentro da cabaça, e fá-la rolar pelo chão...

E a Velha assim fez... Quando o Lobo viu uma cabaça a rolar obrigou-a a parar e perguntou com a sua voz furiosa:
- Ouve lá, ó Cabaça! Tu não viste por aí nenhuma Velha?
E a Velha de dentro da cabaça, com voz de trovão respondia enquanto rolava o mais depressa que conseguia:
- Não vi Velha nem Velhinha,
  Não vi Velha nem Velhão!
  Roda, roda Cabacinha,
  Roda, roda Cabação!

E assim a velha chegou sã e salva ao seu destino!

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