sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A Neve cai, sinais de inverno




Tive o privilégio de ter nascido e vivido alguns anos numa aldeia muito pequena nas abas da serra da Gardunha, escondida por uma enorme mancha de altos pinheiros, á borda da ribeira onde se fazia de tudo, as mulheres lavavam roupa, a rapaziada banhava se, as levadas levavam a agua para regar as hortas e o milho, os moinhos moiam o milho para que da sua farinha saissem aquelas gostosas broas, etc. etc.
Bogas de Baixo é o nome dessa aldeia. mas como ela muitas outras existem nessa belissima serra da gardunha com as mesmas caraterísticas



Ainda me lembro que todos os anos, com a chegada do Outono, da chuva e dos ventos fortes, as castanhas, sim porque nesse tempo ainda havia castanheiros. saíam dos ouriços que enfeitavam os castanheiros centenários que havia espalhados por toda a serra da Gardunha. Sem as castanhas, os ouriços abertos lá no cimo dos castanheiros faziam-me lembrar ninhos dos passarinhos com aquela protecção dos picos para salvaguarda dos seus filhotes.


E as folhas amarelecidas pareciam cobertores pequeninos a secar ao sol.
Na maior parte das vezes acabavam por cair nos pátios, nos campos e nos caminhos estreitos, onde, para além da gente, também passavam as cabras e as ovelhas, as vacas, que levávamos para as pastagens, muitos outros animais selvagens como as raposas, as doninhas, os coelhos bravos e os javalis, que ainda hoje habitam a serra.


Os meus pais e os outros habitantes da aldeia, apressavam os trabalhos nas hortas e nos pinhais. Punham bastante comida nas manjedouras dos animais. Depois iam sentar-se em frente da lenha que ardia calmamente nas lareiras de pedra, queimadas pelas fogueiras de muitos e muitos anos
E nós a juventude dessa altura, começávamos a dar gargalhadas e a saltar de contentes porque sabíamos que a neve não demoraria a chegar. Flocos brancos iam certamente descer das nuvens, dançavam no ar, baloiçavam se e cairiam no chão.


E assim acontecia. De repente, os flocos de neve apareciam. E eram tantos e tantos e tantos, dançando e caindo de mansinho, que daí a pouco os caminhos, os campos, as matas e os telhados ficavam brancos.
Às vezes, a neve caía de noite sem fazer barulho

4 comentários:

Filho de SV disse...

Como era bonito ver os montes cobertos de branco! É claro que isso também provocava transtornos mas, para a rapaziada, era uma felicidade! Lembro-me bem das enormes bolas de neve que colocávamos no meio da aldeia e que demoravam muito tempo a derreter.
Bons tempos!
Um abraço Luis e, mesmo que não recebas comentários, continua!

Filho de SV

Luis Antunes disse...

Tem razão amigo
Já tenho saudades
esta foto da neve em Bogas de Baixo foi captada pelo meu conterrâneo Orlando Gonçalves já deve haver 2 anos

Abraço

luis roque disse...

Boas tardes amigos,desculpem ter andado meio arredado destes comentarios,aproveito esta oportunidade para desejar a
todos os BOGUENSES e seus familiares um SANTO NATAL.
Força AMIGOS.
Obrigado Luis por tudo o que tens feito pela nossa aldeia.Estas ausente mas sempre presente.

luis roque disse...

Boas tardes amigos,desculpem ter andado meio arredado destes comentarios,aproveito esta oportunidade para desejar a
todos os BOGUENSES e seus familiares um SANTO NATAL.
Força AMIGOS.
Obrigado Luis por tudo o que tens feito pela nossa aldeia.Estas ausente mas sempre presente.