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São exactamente as nossas raizes culturais, familiares e sociais que nos distinguem.




domingo, 27 de novembro de 2011

Na minha juventude


Estava a minha mãe sentada num banquinho, para mim a mulher mais linda da aldeia, quando uma forte rajada de vento bateu com força na janela partindo o vidro da cozinha da nossa humilde casinha.

O meu pai trabalhador do campo, ganhava pouco e só havia dinheiro se conseguisse vender os produtos que cultivava ou que fazia, como por exemplo carvão, e cada vez era menos
Dona de umas mãos de fada lá fazia pequenos bordados com cores bonitas, mas também só os fazia quando tinha dinheiro para comprar os panos e linhas.
Eu e os meus irmãos sentiamos vontade de ter outras coisas como alguns miudos da aldeia que tinham os seus progenitores com algumas posses.

Mas, ao mesmo tempo com a nossa pouca sorte, víamos que existiam pessoas que nem casa tinham para viver, nós tinhamos ainda que fosse uma casinha pobre, tinhamos um pai, e uma mãe que para além de tratar das nossa roupas e da nossa higiene, tinha sempre umas batatas e alguns legumes para fazer sopa.
À noite ao serão se fosse inverno ficavamos todos bem aconchegados juntinho á lareira com as chamas a darem nos calor
A minha mãe com a ajuda do esforço enorme do meu pai nunca nos deixou passar fome. Era muito dinâmica e foi assim até ao resto dos seus dias.
Mandou me estudar para o Seminário, que embora sendo na altura o estabelecimento de ensino mais económico nessa altura, acarretava sempre algumas despesas que eram sempre factor de alguns sacrificios extras.
Hoje que já não tenho a minha mãe nem o meu pai, e deixei a minha aldeia há muitos anos, sinto muito a falta deles e muitas saudades daquela minha infancia lá na aldeia, embora pelo meio de todas as dificuldades eramos felizes.
Quando vinha da escola e a minha mãe me ouvia chorar, perguntava, quem te bateu??? foi o Nadiel
No dia seguinte quem te bateu? Foi o Liseu, pois eram sempre os rapazotes já mais velhos uns anos que nos batiam.
Lembro me do tempo em que eu mais o meu amigo João pegávamos no nosso pequeno rebanho de cabritas e alguns borregos e íamos até ao Vale do Muro ou para o Vale Pedro Mendes onde os nossos pais cultivavam umas hortinhas, e enquanto os animais pastavam, nós divertíamo-nos a tocar umas musicas, ele na sua trompa, eu no meu Flautim ou ainda fazendo uns rodizios que punhamos nos pequenos regatos em movimento fazendo barulhos carateristicos que afugentavam a passarada que vinha comer as hortaliças
Era uma juventude do caraças, hoje tudo mudou e a juventude de agora nem sonha como eramos felizes assim

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