sábado, 19 de fevereiro de 2011

No meu tempo era assim



Lá na minha terra, quando era jovem, eu, como toda a gente da aldeia levantavamo nos todos os dias ao nascer do sol , comia se o pequeno-almoço, que tanto podia ser sopas com leite de cabra que nós próprios tratavamos e ordenhavamos, como podiamos comer algo com mais sustento tipo sopa de feijão com nabos e outras coisas do género . A carne e o peixe andavam mais afastadas Não havia o que se pode chamar pastores, eramos nós que levavamos as cabritas e ovelhas para as pastagens.
No entanto muitos de nós já tinhamos ido antes, roçar uns molhos de mato para fazeremos a cama dos animais, ou mesmo para espalhar nas ruas frente ás portas para que com o tempo e a passagem das pessoas e animais por cima do mesmo e com a chuva este se degradasse, produzindo o estrume para estrumar as as nossas hortas.
Pois toda a gente trabalhava de sol a sol, e a vida da casa, tratamento dos animais e da horta estavam quase sempre reservadas ás mulheres.
Vivia-se essencialmente dos trabalhos do campo e algumas saidas sazonais para as ceifas nos campos da Idanha, ou ainda para as mondas nas grandes casas agricolas de Castelo Branco
Para isso eram normalmente constituidos grupos de homens para partirem para as ceifas

( o meu pai foi manager desses grupos) e de raparigas normalmente solteiras para as mondas e para o terço que consitia por exemplo em ir colher feijão frade e um terço da colheita era o salario enquanto nas ceifas era um quinto, por isso as pessoas normalmente diziam que iam ao quinto ou ao terço
Da matança do porco já escrevi na postagem anterior mas acrecento uma vez mais que os porcos eram comprados ainda muito pequenos a mamar e depois eram bem alimentados, para, no Inverno, serem mortos e se fazerem enchidos. Parte do porco ia para a salgadeira, onde era conservado, para dar para o resto do ano., tudo o que vos contei na postagem da matança
Havia um grande espírito de entreajuda em quase tudo o que se fazia em Bogas, como por exemplo na colheita da azeitona,



na descamisa do milho e depois nas debulhas que eram uma festa para a rapaziada mais jovem, já que foi em algumas debulhas do milho que normalmente eram feitas ao serão na casa dos próprios donos, que se iniciaram muitos namoricos e alguns até terminaram em casamento


Nessa altura Bogas de Baixo tinha em plena laboração um lagar de azeite e uma boa meia duzia de moinhos e azenhas a moer a farinha com que se haveria de fazer o pão para a nossa alimentação


Havia ainda nessa altura muita gente a semear linho que depois de tarbalhado como podem ver noutras postagens que publiquei em meados de 2009,
as mulheres juntavam se normalmente, umas quantas na sua rua a fiar o linho, com os filhos por perto a brincar.

Em quase todas as aldeias havia um um forno comunitário, Em Bogas havia varios fornos que embora particulares, era onde as mulheres da aldeia coziam o pão
Muito poucas pessoas se deslocavam para muito longe da aldeia e quando iam a Castelo Branco ou ao Fundão era muito raro, talvez algumas do meu tempo nunca o tenham feito.
Não havia transportes e as pessoas tinham que fazer grandes percursos a pé, talvez até tenha sido a principal razão porque muita gente nunca tinha visto um comboio
Em 1967 foi ano em que meu pai emigrou para a França havia sido inaugurado o comboio internacional Lisboa Madrid



A vida era dura muito dura mas ao mesmo tempo muito mais tranquila e saudável que nos dias de hoje
Quase toda a gente da minha geração se lembra disto com nostalgia

1 comentário:

Joaquim Angelo disse...

Nos os cotas...Sabemos pelo que passamos...E parte de muitos jovens pensarão...Será que era mesmo assim!..Claro que era mesmo assim!..Eu sempre ajudei o meu pai na arte de olaria!E quando eram oito horas da manhã já tinha o corpo bem sovado com o barro preparado para fabricar durante o dia:Um abraço,Luís.