segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Nas décadas 50/60 era assim

A MATANÇA DO PORCO

Lembro me que há muitos anos atraz qualquer familia em Bogas de Baixo,
mesmo as mais carenciadas criavam um porquinho que normalmente era comprado em pequeno a criadores e vendedores que se deslocavam á
nossa terra com camionetas carregadas ou compravam nas feiras que se faziam pelas redondezas.
No Orvalho, havia nesse tempo uma familia de
negociantes lembro me do Horacio e do pai que se deslocavam muitas
vezes á nosa terra fazendo a venda desses animais


A matança do porco era um dia de festa.
A aldeia é pequena e toda a gente sabia quem matava nesse dia.
Juntavam-se a familia e amigos. Normalmente uma familia matava um porquinho, mas familias que geralmente matavam dois porcos num ano,ou porque tinham mais posses ou familias numerosas.
E no meio disto tudo as gentes convivam, era uma festa
Fazia-se a matança do porco e pendurava-se.
Havia na terra o ti Chico capador ou o ti Manuel capador que eram convidados para matar, abrir e desmanchar o animal.
Depois fazia-se a festa que tradicionalmente consistia em comer uma bela jantarada , com carne do porco regada com o vinho a sair do pipo.
Naquele tempo a vida era assim. Geralmente vinham tambem os vizinhos. para
agarrarem e segurarem o porco, que nem sempre era facil. Dependia das pessoas e das capacidades para essa tarefa

O trabalho das mulheres era um trabalho árduo até a primeira coisa que
faziam era aparar o sangue e depois mexiam para ele não coalhar, para depois fazerem o fumeiro que consistia em chouriças, morcelas, farinheiras etc etc. Eram elas tambem que escolhiam as carnes e confecionavam os petiscos que iriam servir de repasto aos presentes Consistia em cozer o sangue que estava coalhado, e o chanmado sarrabulho das miudezas do porco


Na altura não havia arcas congeladoras. O Fumeiro era pendurado e seco no caniço, algum metido depois no azeite, e para as carnes havia sim grandes arcas salgadeiras onde se conservava a carne metida no sal


Essas carnes e o fumeiro iam servindo ao longo do tempo para
o governo da casa como costumavam dizer.

(fotos de pesquisa google autores desconhecidos)

8 comentários:

Eduardo Saraiva disse...

Tenho saudades da matança. Nesse dia, lá em casa (no Fundão) era dia de festa e não íamos à Escola.
Depois todo o cerimonial à volta do porquinho -as febras em vinha de alho, a caldeirada com as miudezas, a preparação da farinheira, o pendurar do animal, etc, e mais tarde, cortar o porco e por na salgadeira para, ainda, mais tarde, tirar os presuntos da salgadeira.
Bons tempos

Anónimo disse...

Também tenho saudades desse tempo pois já estou na casa dos 60 anos e até hoje nunca comi coisa mais saborosa que as febras que se faziam no prório dia da matança do famoso porquinho.
Mário Martins

Anónimo disse...

Ai que saudades, amigo Luis, estou a ficar com água na boca.
Amigo Luis, isto não se faz, é uma maldade fazernos recordar tudo o que era bom no dia da matança, e no dia seguinte,acompanhado com o nosso bom vinho.
Nesse tempo, nem tudo era bom, mas amigo isto era devinal,ai se era...

Voz do Goulinho
ALA Poemas
António Assunção

Luis Antunes disse...

grandes recordações meus amigos
Era lindo ver aquela gente cheia de alegria e boa disposição.
hoje as pessoas mal se conhecem.
Amigo Assunção tenho a certeza que no seu Goulinho estas coisas boas aconteciam e o meu amigo tabem deve ter ficado com belas recordações

Joaquim Angelo disse...

Cuidado Luis!..Os homens da asai andam pelo conselho, do Fundão,e terras em redor!..Não escapa uma!..Um abraço!.

Luis Antunes disse...

Amigo Joaquim
pois que andem bem capazes disso são eles
Felizmente naquele tempo não era previsivel que um dia viesse a existir uma ASAE para mal dos nossos pecados
Mesmo veterinários se já existiam eram muito escassos
E mesmo assim nunca ouvi dizer que morrese alguem com a peste suina
Morria era gente á fome
Este País está sobrecarregado de ASAE's para extorquirem o já pouco dinheiro que o pessoal tem

Lidia disse...

Pois é Luis! Nem havia ASAE para controlar, nem frigorificos para conservar, ( onde não havia electricidade como nas nossas aldeias ) e as pessoas eram bem mais saudavéis. Vamos là nos compreender isto!...

Joaquim Angelo disse...

Outros tempos!..Outros costumes!..Havia amizade,e amor!..Sinceridade,e as famílias demonstravam carinho e amor umas pelas outras!..Um abraço: